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Dilma nega reforma ministerial após saída de Cid Gomes

Presidente afirma que demissão de ex-ministro foi ‘pontual’ e que novas substituições não seriam suficientes para resolver problemas; para titular da Casa Civil, bate-boca entre ex-ministro da Educação e deputados foi ‘incidente político grave’

Tânia Monteiro e Ricardo Della Colletta , O Estado de S. Paulo

19 de março de 2015 | 12h12

Atualizado às 22h22


Brasília - Um dia depois de se ver obrigada a fazer a primeira mudança na equipe com nem três meses de mandato, a presidente Dilma Rousseff disse nesta quinta-feira, 19, que a saída de Cid Gomes do Ministério da Educação (MEC) foi um ato “pontual”, ocorrido porque “as circunstâncias, às vezes, obrigam você a alterar, como foi o caso”. Em seguida, a petista negou planos de uma “ampla” troca de cadeiras na Esplanada como tática para contornar a crise política enfrentada pelo governo.

“Não tem reforma ministerial. Vocês (imprensa) estão criando uma reforma de ministério que não existe”, disse Dilma, após participar de cerimônia de lançamento de um pacote de modernização do futebol, no Palácio do Planalto. Para a presidente, reforma ministerial “(não) é uma panaceia, que resolve todos os problemas”. E emendou: “O que resolve problemas nós estamos colocando em prática, como essas medidas”. 

A troca de ofensas no plenário da Câmara entre Cid Gomes e parlamentares contribuiu para acirrar ainda mais a tensão entre o governo e a base aliada e foi classificada pelo ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, como um “incidente político grave”. Segundo o ministro, a permanência do colega “prejudicaria muito” o próprio MEC. Mercadante negou-se a comentar uma possível saída da Casa Civil para reassumir a Educação, como especulado no governo e no PT. “Tenho trabalho demais”, desconversou o chefe da Casa Civil.

Apesar de Dilma negar com veemência uma nova troca de ministros, a presidente está sendo pressionada pelos partidos a mexer na equipe. O PMDB quer mais espaço na Esplanada e pleiteia a Integração Nacional, que está nas mãos do combalido PP, sigla mais atingida pela Operação Lava Jato. A pasta, com grande capacidade de influência no Nordeste, tem um orçamento cobiçado pelas legendas.

Além disso, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva já recomendou à sucessora que transfira Jaques Wagner da Defesa para a Casa Civil, o que levaria Mercadante de volta ao MEC, e a troca de cadeiras entre o petista Pepe Vargas - titular da Secretaria de Relações Institucionais criticado pelas falhas na articulação política - e o peemedebista Eliseu Padilha, próximo do vice-presidente Michel Temer e hoje responsável pela Aviação Civil.

Há ainda outro problema a ser resolvido, que é a decisão sobre a permanência ou não do ministro Thomas Traumann, depois da publicação pelo Estado de um documento da Secretaria de Comunicação Social (Secom) no qual afirma que o País vive “um caos político”. Ontem, Dilma não quis dizer se vai substituí-lo.

Sem dono. Na quinta-feira, ao designar Mercadante para comunicar que Cid Gomes deixaria o MEC, Dilma deu um sinal de que estaria fortalecendo seu ministro da Casa Civil. Na entrevista de ontem, questionada se devolveria a pasta da Educação para o PT ou a entregaria ao PMDB, ela respondeu que o MEC “não é dado a ninguém”. “Vou escolher uma pessoa boa para a Educação, e não pessoa deste, daquele ou de outro partido”. A presidente afirmou que fará a nomeação “o mais rápido possível”. 

Dilma evitou responder sobre sua relação com a base aliada no Congresso, atualmente conflagrada. Mas exemplificou que, na elaboração das propostas de refinanciamento de dívidas de clubes em troca de regras de governança, houve amplo diálogo e o governo teve capacidade de “escutar todos os lados”. Na semana pós-manifestações contra o governo, Dilma e seus ministros têm dado ênfase ao “diálogo” com diversos setores políticos e da sociedade.

O Planalto está em busca de agendas positivas para tentar reverter a onda de más notícias. Como parte dessa estratégia, o governo anunciou para a próxima semana uma nova revisão da lei do Supersimples - sistema de tributação diferenciado para pequenas empresas -, a fim de se criar faixas de transição conforme o faturamento das empresas. Para Dilma, “o Brasil tem hoje todas as condições para superar este momento de dificuldades e encontrar caminhos sustentáveis”. / COLABOROU ERICH DECAT

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