Dilma nega que Vaccari seja tesoureiro de sua campanha

Ministra disse que deve ser repetida estratégia da campanha de 2006, quando as tesourarias foram divididas

Agência Brasil,

09 de março de 2010 | 14h04

A ministra-chefe da Casa Civil e pré-candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, praticamente descartou a possibilidade de que o tesoureiro do partido, João Vaccari Neto, seja o responsável pelas finanças de sua campanha. Ela afirmou que a tendência é manter a estratégia adotada pelo partido em 2006 de separar as duas tesourarias.

 

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"Nós temos tido nas últimas eleições uma opção por diferenciar as duas tesourarias, a tesouraria do partido, uma vez que ela tem mais obrigações do que a campanha presidencial. Então a tendência é manter isso, a mesma coisa que ocorreu em 2006 na época da eleição do presidente Lula", afirmou nesta terça-feira, 9, a ministra, ao chegar no Senado onde participa da solenidade em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, que foi na segunda-feira.

 

Vaccari Neto, de acordo com reportagem da revista Veja, teve o seu sigilo bancário quebrado pelo Ministério Público de São Paulo, que está investigando irregularidades que teriam sido cometidas pela Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo (Bancoop), quando ele ocupava a diretoria da entidade.

 

A ministra defendeu o companheiro de partido ao ser perguntada sobre o assunto. Ela disse que o tesoureiro não pode ser condenado sem ter antes a oportunidade de apresentar sua defesa. "Acho que o Vaccari tem todo o direito de defesa e nós temos tido bastante clareza em defender o direito de as pessoas se defenderem antes de serem condenadas, acusadas e de fato afastadas do que fazem."

 

Dilma confirmou que, durante a campanha presidencial, receberá salário do PT. Ela ressaltou que terá de se licenciar do cargo no governo federal, o que deve ocorrer no início de abril, e, por força da lei, não receberá o salário da Fundação de Economia e Estatística, órgão ao qual é vinculada, uma vez que estará licenciada.

 

"Posto que eu não posso viver de brisa e não sou rica, vou ter que ter uma salário do PT", completou a ministra. Ainda sobre campanha, Dilma Rousseff negou que pretenda colocar um executivo na sua equipe, conforme notícias divulgadas pela imprensa. "Não comentei isso nem sequer cogitei."

 

Dilma Rousseff também disse não estar "nem um pingo irritada" com acusações de que esteja utilizando a máquina pública para campanha. Neste sentido, ela saiu em defesa do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmando que não foi fácil "tirar um país de uma situação de não investimento, que não tinha projeto, não tinha licença, não tinha obra."

 

Sobre a iniciativa do PSDB de apresentar um projeto de lei, aprovado na semana passada, que cria, dentro do programa Bolsa Família, um incentivo financeiro para beneficiários que tenham crianças e adolescentes com bom desempenho escolar, a ministra perguntou de onde virão os recursos para bancar esse adicional. Ela disse que, caso isso não seja bem definido, há o risco de se "começar a sair por aí fazendo toda espécie de benefício num momento eleitoral para a população e não dizendo de onde a gente tira o dinheiro para cumprir."

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