Dilma nega que 'fogo amigo' esteja na origem de denúncias

Ao ser provocada sobre apossibilidade de estar sob alvo de "fogo amigo", a ministraDilma Rousseff (Casa Civil) negou a ligação das denúncias detráfico de influência na venda da Varig e do vazamento de dadossobre contas do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso àsdisputas internas para a definição do candidato do PT àpresidência da República. "Está cada vez mais evidente que o fogo é inimigo", disse aministra em entrevista nesta sexta-feira à Rádio Gaúcha. Foi a reação da ministra a uma pergunta que relacionava oex-ministro José Dirceu a José Aparecido Nunes, ex-funcionárioda Casa Civil, envolvido no vazamento dos dados de FHC, eDenise Abreu, ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil(Anac). Potencial candidata à Presidência pelo PT, Dilma refutou ahipótese de que estaria sendo alvo de uma manobra de desgastepor parte de Dirceu. "Não é nenhum fogo amigo que tem levado a isso, até porqueos documentos relativos ao banco de dados que saíram daqui nãochegaram às mãos da imprensa pelo funcionário que entregou osdados. Deve ter chegado através de algum outro mecanismo.Brasília inteira sabe através de quem foi e não foi fogo amigo.No caso da Anac, também acredito que tenha esse componente",disse a ministra. Para Dilma, a suposta simpatia do presidente Luiz InácioLula da Silva pela sua candidatura na sucessão presidencial nãoseria motivo para que outros grupos do PT estivessem mirandosua estabilidade no governo. "O candidato (à presidência da República) teránecessariamente que passar pelo PT, mas isso não está em pautahoje", afirmou Dilma. A ministra reafirmou que as denúncias feitas por DeniseAbreu de que ela teria pressionado a favor do grupo que comproua Varig em 2006 são falsas. Segundo Dilma, as pressões para o socorro teriam partido devários setores e o governo, através da lei de falências, teriaconseguido manter a viabilidade da venda ao evitar adesvalorização da companhia aérea. Para a ministra, as acusações apresentadas por Denisedeverão ser respondidas e as responsabilidades apuradas. "É muito estranho que alguém tenha uma decisão e alegue quefoi o governo ou a Casa Civil que tenha obrigado a tomar estadecisão. Há que provar", disse Dilma. A ex-diretora da Anac deve comparecer ao Senado naquarta-feira da próxima semana para prestar esclarecimentossobre suas denúncias, que vieram a público esta semana. Em outra frente, o juiz José Paulo Magano, da 17a VaraCível de São Paulo, solicitou à Procuradoria Geral da Repúblicaque investigue a possível interferência da ministra no negócio. A Varig foi comprada pela Volo do Brasil, formada pelofundo norte-americano Matlin Petterson e por três sóciosbrasileiros, em 2006. Em março de 2007, foi adquirida pelaGol.

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