Dilma nega que Dirceu seja pivô de eventual governo

Durante sabatina ao portal R7, da Record, a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, defendeu seu antecessor na Casa Civil, o ex-ministro e deputado federal cassado José Dirceu (PT). Ela afirmou que o petista tem sido vítima de um julgamento precipitado. Mas ressaltou que Dirceu "não está no cerne" de seu eventual governo e que não tem conversado com ele. "Dirceu não está julgado. É uma precipitação falar que ele fez isso ou aquilo", ressalvou a candidata.

ANDREA JUBÉ VIANNA, Agência Estado

22 Julho 2010 | 18h41

Ex-presidente do PT, Dirceu é réu na ação que investiga o mensalão, em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF). O mensalão foi o esquema de compra de votos em troca de apoio aos projetos do governo, que quase culminou em pedido de impeachment do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2005. Nos bastidores, José Dirceu ainda atua como um dos principais articuladores políticos do PT. Até a realização das convenções partidárias, Dirceu percorreu os Estados para construir palanques fortes para Dilma Rousseff com o PMDB e os demais partidos da base aliada.

"Vivemos num País democrático e, pra nós, desde a Revolução Francesa, quem prova uma coisa é a acusação, não é a pessoa acusada que prova sua inocência. Esse foi o grande avanço da Revolução Francesa", ponderou. Dilma acrescentou que acha "lamentável que práticas incorretas eventualmente tenham acontecido", mas descartou a ligação entre o mensalão e o PT. "Não é característica do Partido dos Trabalhadores (envolver-se nessas práticas)", concluiu.

Invasão de terras

A candidata do PT à Presidência da República ainda afirmou, na sabatina ao portal R7, que as invasões de terras diminuirão em seu governo, caso ela seja eleita em outubro. Ela disse que a reforma agrária continuará, mas salientou que "não negocia com a ilegalidade".

Para reduzir a frequência das invasões, ela defendeu o fomento à agricultura familiar. Argumentou que não basta dar a terra às famílias de agricultores, mas é preciso dar condições para que produzam, como assistência técnica e financiamento. "Você sabia que a cada dez tratores vendidos, oito destinam-se à agricultura familiar?", informou.

Ela acrescentou que respeita os movimentos sociais porque "vê neles uma questão importante da democracia". Mas assegurou que não será complacente com a ilegalidade. "A reforma agrária tem de continuar porque é bom para o Brasil, não porque o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) quer", disse.

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