Dilma nega ligação entre campanha e irregularidades na Casa Civil

Candidata do PT afirmou não ter tomado conhecimento das novas denúncias da revista Veja e voltou a defender investigações

Gustavo Porto e Tatiana Fávaro, Agência Estado

18 de setembro de 2010 | 12h34

A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, refutou neste sábado, 18, qualquer ligação entre sua campanha e as constantes denúncias de irregularidades na Casa Civil, pasta que ela comandou até deixar o cargo para disputar as eleições. Dilma afirmou que não tomou conhecimento das novas denúncias da revista Veja desta semana, que aponta possíveis irregularidades contra o marido da sua sucessora, Erenice Guerra, bem como o pagamento de propina a funcionários da Pasta para a licitação de compra do Tamiflu, remédio utilizado no combate à H1N1.

 

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"Acredito que todas as denúncias, apesar de não ter tido acesso a essa reportagem, têm de ser apuradas e investigadas e que as pessoas culpadas têm de ser drasticamente punidas", disse. "Eu tenho histórico de vida pública, jamais permiti, jamais abriguei práticas ilegais nas minhas proximidades e não faria isso na minha campanha", completou a ministra, que está em Campinas (SP), onde participa de um comício ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

 

Indagada se as denúncias contra Erenice Guerra afetam a sua campanha, Dilma disse que tem 25 anos de vida pública e que nunca teve uma conta rejeitada. "Nunca, em tempo algum, tive qualquer tipo de suspeita de irregularidade", afirmou. E arrematou: "Não vou admitir que por conta do processo eleitoral joguem suspeita sobre a minha conduta a minha campanha ou os meus atos públicos. Tenho clareza que sou uma servidora pública e nesse processo eu tive um comportamento adequado".

 

Dilma evitou criticar a postura da sua sucessora no cargo, disse que não fará prejulgamentos as denúncias contra a ex-ministra Erenice Guerra, elogiou a agora ex-titular da Casa Civil, que foi sua secretária-executiva. "Enquanto trabalhou comigo mostrou muita capacidade, muita competência e idoneidade; qualquer ato que a desabone tem que ser provado e não vice-versa, então eu aguardo e não faço prejulgamento", afirmou a ministra, antes de admitir ter sido informada por Erenice durante a semana que ela deixaria o cargo. "Ela avisou que iria pedir demissão e eu disse que ficava a cargo dela", concluiu.

 

Comício

 

A candidata tomou café da manhã em um hotel de Campinas com o ator porto-riquenho Benicio Del Toro, que está no País e que ganhou elogios da candidata. "Achei ótimo, porque ele de fato é um ator excelente, excepcional e além disso, sem sombra de dúvida, é muito bonito", afirmou. A candidata afirmou que o ator ficou curioso sobre o processo eleitoral brasileiro. "Mostramos para ele que somos os únicos que fazem comício nesse País", disse Dilma.

 

Enquanto a ela se preparava para o comício com expectativa de público de 30 mil pessoas no Centro de Campinas, o presidente Lula inaugurava, no bairro Campo Redondo, periferia da cidade, 400 unidades do programa Minha Casa, Minha Vida, acompanhado do ministro das Cidades, Márcio Fortes. "O povo brasileiro aprendeu que gosta de respeito, que gosta de coisa boa", disse, durante discurso.

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