Dilma nega fazer ajuste fiscal caso seja eleita

A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, disse hoje que as notícias segundo as quais irá fazer um ajuste fiscal se for eleita são factóides. "Não vou fazer ajuste fiscal em hipótese alguma", disse, em conversa com jornalistas em São Paulo. "O Brasil não precisa mais de ajuste fiscal", defendeu.

ANNE WARTH, Agência Estado

30 de agosto de 2010 | 19h03

Na avaliação dela, os ajustes promovem cortes "absolutamente lineares", que atingem desde salários de funcionários públicos a investimentos. "O pessoal tem mania de olhar o ajuste fiscal só pelo lado da despesa e esquece que ele também é feito pelo lado da receita", disse.

De acordo com a petista, foi durante o ajuste fiscal promovido durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso que a dívida pública duplicou, apesar da venda de R$ 100 bilhões em patrimônio público. "É um milagre da gestão financeira muito competente", ironizou.

Ela disse ainda que foi durante o governo FHC que o Brasil assistiu ao maior aumento da carga tributária de sua história. "Gestão não é isso", criticou, ressaltando que "é função do governo controlar gastos como princípio".

A ex-ministra admitiu que em momentos de crise pode ser preciso diminuir o ritmo de gastos. "Agora, instituir uma coisa que eu chamei de necessidade de ajuste fiscal e transformar isso em virtude é de uma cegueira absurda", falou.

Dilma elogiou a gestão do presidente Lula e disse que a relação dívida líquida sobre o Produto Interno Bruto (PIB) caiu de 60% no início de seu governo para 41%. "A tendência é que chegue a 30%", disse, citando o aumento da arrecadação e do crescimento econômico e a redução de alguns impostos. "Não acho nada similar o que foi feito no governo Fernando Henrique e o que foi feito no governo Lula", acrescentou.

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