Dilma nega elo entre sua campanha e jornalista que quebrou sigilo de tucanos

Petista disse ainda que jornalista fez investigações a partir de 'conflito' entre José Serra e Aécio Neves, que disputavam o cargo de presidenciável do PSDB

Malu Delgado/SÃO PAULO, O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2010 | 20h25

Diante da divulgação da Polícia Federal de que o jornalista Amaury Ribeiro foi o responsável pela violação de sigilos fiscais de pessoas ligadas ao PSDB, a presidenciável Dilma Rousseff (PT) rechaçou nesta quarta-feira, 20, que existam ligações entre ele e a coordenação de sua campanha eleitoral. Ela destacou ainda que o jornalista fez investigações a partir de um “conflito” entre os tucanos José Serra e Aécio Neves, que disputaram o cargo de presidenciável do PSDB.  

 

O PT e coordenadores da campanha de Dilma vão solicitar formalmente à Polícia Federal a íntegra do inquérito sobre a violação de sigilos. “Qualquer tentativa de colocar isso na minha campanha acho, primeiro, uma injustiça; segundo, uma tentativa de criar eleitoralmente um fato; e terceiro, repudio integralmente. Acho de absoluta má fé. Está claro o depoimento dele (do jornalista) na Polícia Federal”, afirmou a candidata.

 

“Nós não quebramos sigilo fiscal de ninguém e não fizemos dossiê”. A petista enfatizou que os sigilos foram quebrados entre setembro e outubro de 2009, quando sequer havia pré-campanha. Insistiu, ainda, que o jornalista trabalhava no jornal Estado de Minas e estaria produzindo investigações por contra própria. 

 

“O próprio jornalista, em depoimento à Polícia Federal, declarou que ele fez o trabalho dentro de um conflito entre dois candidatos à Presidência dos tucanos. Ele disse isso e afirma isso. Esconder isso é tentar colocar algo que a minha campanha vem negando desde o início”, disse. Segundo Dilma, não se pode fazer um “salto mortal” entre 2009 e a pré-campanha, iniciada em março de 2010, para buscar vinculações do PT com o episódio.

 

O coordenador jurídico da campanha de Dilma, José Eduardo Cardozo, afirmou que o partido não tem e nunca teve ligações com Amaury Ribeiro. Ele não respondeu a questionamentos sobre o fato de o partido ter pago o flat onde Amaury se hospedou em Brasília. "É muito importante vermos o inquérito para checarmos o que ele aponta. Acho muito curioso que na época o jornalista trabalhasse no Estado de Minas", disse. O PT acredita que ficarão evidentes ligações do jornalista com o ex-governador Aécio Neves.

 

Apesar de ter mencionado supostas ligações do jornalista com tucanos, a petista afirmou que não fará acusações. “Não é do meu feitio. Acho isso uma baixaria. Sugiro que vocês peguem as informações e olhem direitinho, porque entre outubro e março tem dezembro, janeiro e fevereiro.”

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.