Dilma nega consulta ao País sobre acordo para florestas

Dilma nega consulta ao País sobre acordo para florestas

"Por que o Brasil se recusou a assinar? Primeiro porque não nos consultaram", afirmou a dirigente

RAFAEL MORAES MOURA, ENVIADO ESPECIAL E ALTAMIRO SILVA JUNIOR, CORRESPONDENTE, Estadão Conteúdo

24 de setembro de 2014 | 14h53

Atualizada às 22h14

Um dia depois de 32 países que integram a Organização das Nações Unidas (ONU) firmarem acordo que prevê o fim do desmatamento mundial até 2030, a presidente Dilma Rousseff disse nesta quarta-feira, 24, que o Brasil não foi consultado sobre a proposta, que, segundo ela, “contraria e se contrapõe à nossa legislação”.

“Por que é que o Brasil se recusou a assinar? Primeiro, porque não nos consultaram. Somos um País com uma grande quantidade de florestas e temos, reconhecidamente, do ponto de vista internacional, a melhor política de redução (sic) de florestas. Nunca nos consultaram”, disse Dilma, em coletiva de imprensa em Nova York, antes de embarcar de volta ao Brasil. 

“Um dos assessores disse que não nos acharam, coisa um pouco difícil dado o tamanho do País. Além disso, tem uma segunda questão: eles propõem algo que é contra a lei brasileira. A lei brasileira permite que nós façamos o manejo florestal. Muitas pessoas vivem do manejo florestal, que é o desmatamento legal sem danos ao meio ambiente.” 

A resolução foi apresentada nesta terça-feira, 23, durante a Cúpula do Clima, que reuniu representantes de mais de 120 nações para discutir ações de enfrentamento ao aquecimento global. O documento recebeu o nome de “Declaração de Nova York” e foi endossado por 32 países, incluindo os EUA. China e Índia estão entre os que não o apoiaram até agora, além do Brasil. O documento, porém, ficará aberto até o final de 2015 para receber novas adesões. 

Demagogia. A questão do desmatamento zero já havia assombrado Dilma na campanha de 2010, quando houve manifestação do Greenpeace durante ato de adesão de deputados do PV à sua candidatura, no 2.º turno. Na ocasião, militantes reivindicavam o desmatamento zero e a então candidata tachou a proposta de “demagógica”.

Um integrante da comitiva brasileira classificou ao Estado como “factoide” a polêmica em torno da não adesão do Brasil à resolução e disse que a eventual entrada do País na resolução seria “demagogia para ganhar votos”.

Desafios. Na abertura da 69.ª Assembleia-Geral da ONU, nesta quarta, Dilma voltou a falar sobre clima e ressaltou que o Brasil alcançou as menores taxas de desmatamento da Amazônia entre 2010 e 2013. Frisou que na última década o País reduziu o desmatamento em 79%, sem renunciar ao desenvolvimento econômico nem à inclusão social. “A mudança do clima é um grande desafio. Necessitamos sentido de urgência, coragem política e o entendimento de que cada um deverá contribuir segundo os princípios da equidade e das responsabilidades comuns.”

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