Ed Ferreira/Estadão
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Dilma não pode ser responsabilizada por Pasadena, diz ministro

Pepe Vargas (Relações Institucionais) argumenta que presidente, integrante do Conselho de Administração da Petrobrás na época da compra da refinaria, não teve envolvimento com decisões que acarretaram prejuízo em negociação

RICARDO DELLA COLETTA E TÂNIA MONTEIRO, O Estado de S. Paulo

20 de janeiro de 2015 | 11h34

Brasília - Em café da manhã com jornalistas, no Palácio do Planalto, o ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Pepe Vargas, disse que não há motivos para responsabilizar a presidente Dilma Rousseff por prejuízos causados à Petrobrás com a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. Em defesa apresentada ao Tribunal de Contas da União, conforme mostrou o Estado, nesta terça-feira, 20, o ex-presidente da estatal José Sérgio Gabrielli pediu para ser excluído do processo que determinou o bloqueio de seus bens pela compra de Pasadena e, caso não seja aceito, que o Conselho de Administração, à época presidido por Dilma Rousseff, que autorizou o negócio, também seja responsabilizado pelo prejuízo.

"Quem causou prejuízos à Petrobrás por cometer maus feitos obviamente que vai ser responsabilizado", disse o ministro, isentando a presidente Dilma. "Quem cometeu crime contra a empresa pública tem de ser punido sob ponto de vista penal, ter seus bens bloqueados. Mas não tem nenhuma responsabilização da presidenta Dilma sobre esse assunto", disse ele, acrescentando que "quem quer que diga alguma coisa sobre esse assunto, tem de, em primeiro lugar provar (a responsabilidade da presidente)".

O ministro ressaltou ainda que nenhum dos "órgãos que trabalham sobre esse tema pediu o bloqueio dos bens da presidenta Dilma e eu tenho certeza que não pedirão". E emendou: "A presidenta Dilma não tem envolvimento com essas questões".

Questionado se Sérgio Gabrielli, por ser presidente da empresa à época da compra de Pasadena deveria ser responsabilizado pelo prejuízo, calculado pelo TCU em US$ 792 milhões, Pepe Vargas respondeu: "Eu não sei exatamente o que o Gabrielli disse. O que eu estou dizendo muito concretamente é que nós queremos rigor nas investigações e eu acredito que esteja havendo rigor nas investigações e a sociedade brasileira ela sairá fortalecida deste processo. A democracia brasileira vai sair fortalecida porque nós temos instituições atuantes, como o Ministério Público Federal, a Polícia Federal, o TCU, o Judiciário atuando. Temos instituições atuando e estamos descobrindo coisas, que são crimes contra empresas públicas e quem cometeu crime contra empresa pública tem de ser punido".

O ministro evitou, no entanto, responder a perguntas sobre se Graça Foster deveria deixar a presidência da Petrobrás e se a presença dela colaborava para a manutenção dos prejuízos da empresa, com queda no preço das ações da estatal. "A Petrobrás não tem risco nenhum de quebrar", disse o ministro. Na avaliação dele, "tem uma redução do preço do petróleo no mundo inteiro" e também houve queda nas ações. " Ações de bolsa é isso. Hora sobe, hora desce, mas não ter risco nenhum de a Petrobrás quebrar."

Ele descartou também a possibilidade de criação de uma nova CPI para investigar os desvios de recursos na estatal do petróleo. "CPI é instrumento da oposição que vai sempre querer investigação. Mas os órgãos de investigação estão trabalhando, corruptores e corruptos estão sendo punidos e não há motivo para nova CPI neste momento."

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