Dilma: Não há 'governo efetivo em 4 anos'

Dilma: Não há 'governo efetivo em 4 anos'

Presidente afirma que aceita discutir mandato único de 5 anos desde que 'estejam claros todos os termos da frase' e 'a quem interessa'

TÂNIA MONTEIRO, RICARDO DELLA COLETTA, BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

14 de outubro de 2014 | 02h01

Ao criticar a proposta do concorrente do PSDB à Presidência, Aécio Neves, de propor o fim da reeleição com mandato único de cinco anos, a presidente e candidata à reeleição pelo PT Dilma Rousseff reconheceu ontem que ninguém consegue fazer "um governo efetivo" em quatro anos. Questionada se um ano mais tornaria isso possível, a petista respondeu: "Pode ser, eu não sei. Por isso eu quero saber em que condições (estão propondo fim da reeleição)".

Dilma falou aos jornalistas no Palácio do Alvorada, onde mais tarde recebeu integrantes dos movimentos sociais que defendem a convocação de uma Assembleia Constituinte dedicada à reforma política - medida que chegou a ser anunciada pela presidente após as manifestações de junho de 2013, mas foi rechaçada por dirigentes políticos e descartada um dia depois pelo próprio governo.

A presidente reafirmou não ser contra discutir mandato único no Executivo, como já havia dito em entrevista ao Estado em setembro, mas foi irônica ao dizer ser "interessante" que "quem está propondo o fim da reeleição é quem a criou".

"Quero saber que negociação está por trás dessa questão da reeleição. É uma negociação entre os tucanos? É uma negociação para aumentar (o mandato) para cinco (anos) e depois prorrogar?", disse Dilma. "Eu aceito discussão, mas eu não aceito discussão em que não estejam claros todos os termos da frase. Tem de ter sujeito, predicado, verbo, objeto direto. Quero saber a quem interessa."

Dilma lembrou as denúncias de pagamento de propina a parlamentares que votaram a favor da emenda da reeleição, em 1997, que permitiu ao então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) disputar um novo mandato. "Se tivesse investigação, teríamos de nos perguntar onde estão todos os acusados de terem sido corrompidos durante o processo de aprovação, porque hoje estão todos soltos."

Comparativos. Terceira colocada na disputa e hoje aliada de Aécio, Marina Silva (PSB) também foi alvo das críticas de Dilma. A presidente considerou "infeliz" comparar o compromisso assinado pelo tucano que resultou no apoio de Marina à Carta ao Povo Brasileiro escrita por Luiz Inácio Lula da Silva em 2002, documento em que o petista se comprometia com responsabilidade fiscal e cumprimento de contratos.

"É tão desproporcional a comparação entre um líder político do porte do Lula e o candidato meu adversário", afirmou. "Seja pela trajetória política, pelas convicções, ou pelo que realizaram."

Mais tarde, a presidente também fez uma comparação, ao receber um abaixo-assinado com 7,8 milhões de nomes pela Constituinte exclusiva da reforma política dos movimentos sociais. "Essa unidade só se viu em grandes momentos, nos movimentos que transformaram o Brasil, como foi o caso das Diretas Já. Sinto a força e o cheiro de uma transformação."

Ainda ao rebater os ataques dos adversários, Dilma condenou o uso pela campanha do PSDB de uma carta enviada a FHC em 2011, na qual a petista elogia o tucano em seu aniversário de 80 anos e o chama de "ministro arquiteto de um plano duradouro de saída da hiperinflação". "Mandei mesmo. A estabilização da moeda é um grande ganho. Mas não significou estabilização da economia. É fato que saímos da hiperinflação, mas também é fato que ele (FHC) quebrou o País três vezes."

Tudo o que sabemos sobre:
Eleições

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.