Dilma não comenta juros e diz que vai participar de campanha

Apesar de afirmação de Lula, ministra afirma ser provável sua participação no RS durante primeiro turno

Sandra Hahn, de O Estado de S.Paulo,

25 Julho 2008 | 00h40

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, não quis comentar na quinta-feira, 24, à noite a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de elevar a taxa básica de juros para 13% ao ano. Além disso, a ministra disse ser provável sua participação na campanha durante o primeiro turno no Rio Grande Sul, mas explicou que o assunto está sendo discutido pelo governo.   Ao contrário do presidente da República em exercício, José Alencar, que aproveitou discurso na posse da diretoria da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs) para reiterar sua posição contrária à estratégia de aumentar juros, Dilma afirmou, em entrevista, que "sou ministra-chefe da Casa Civil e não me pronuncio sobre isso".   Em discurso no evento, Dilma citou indicadores econômicos que permitem ao Brasil ser reconhecido, segundo ela, como um dos países mais promissores no grupo dos Brics (Brasil, Rússia, Índia e China). A situação econômica também possibilita que o Brasil esteja nas margens das metas inflacionárias, ao contrário de quase todos os Brics, conforme disse Dilma, que ultrapassaram suas previsões.   Questionada sobre a campanha eleitoral, a ministra disse que é provável sua participação apenas no Rio Grande do Sul durante o primeiro turno. Ela explicou que o governo está discutindo a questão. "A preocupação do governo é que nós temos uma base diversificada e não tem sentido o governo optar por alguém da base ou por outro, a não ser em seu Estado de origem", afirmou. "Aqui (RS) eu farei campanha", complementou, dizendo que esta foi uma orientação geral do presidente Lula e não particular a ela.   Ao discursar, José Alencar disse que o mundo todo espera crescimento da produção agrícola brasileira. Antes de entrar no tema dos juros, lembrou que estava no exercício da Presidência e brincou com sua constante referência ao tema. "Nem sei se devo (falar sobre os juros)", afirmou. "Vou falar do custo de capital", contornou Alencar, para reiterar que, em sua avaliação, nenhuma alta dos juros irá afetar a elevação de preços das commodities, como havia feito horas antes em entrevista.   Alencar também defendeu a reforma tributária, em resposta à governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), também presente ao evento, e ressaltou que a carga de impostos não subiu durante o governo atual. Yeda disse que "esta é a hora da reforma tributária". O presidente Lula, disse Alencar, "está preocupado e deseja fazer a reforma tributária de tal forma a atender os interesses nacionais".   Obras   Dilma também anunciou, em seu discurso, que o governo começará as obras de duplicação da BR 392, na região sul do Estado, que serve para escoar mercadorias até o porto de Rio Grande, entre o final de julho e o começo de agosto. Ela lembrou que o contrato de concessão da estrada - que está em vigor - não prevê a duplicação, mas sim algumas obrigações de restauração. "Então, nós vamos fazer como obra pública", observou, ao acrescentar que isso não pode ter reflexo na tarifa de pedágio. A Agência Nacional de Transportes Terrestes (ANTT) está negociando com o concessionário da estrada, afirmou Dilma.   A ministra também informou que a Petrobras irá elevar seus investimentos por conta das descobertas de reservas no pré-sal. Em vez dos R$ 74 bilhões, Dilma disse que o orçamento deve chegar a R$ 150 a R$ 200 bilhões com a exploração destas novas áreas.   O presidente da Fiergs, Paulo Tigre, foi reconduzido para mais um mandato à frente da entidade, na gestão 2008-2011, em evento acompanhado por presidentes de 20 federações de indústria e representantes de outras quatro. O dirigente também pediu reformas estruturais (tributária, política e trabalhista), a redução da burocracia e modernização da infra-estrutura.

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