DIDA SAMPAIO|ESTADÃO
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Dilma não cita Wagner, mas diz que todos podem ser investigados

Presidente evitou comentar citações a ministro da Casa Civil em investigações da Lava Jato reveladas pelo 'Estado' e afirma ter certeza de que ela mesma já foi alvo de apurações

Carla Araújo, Tânia Monteiro, Isadora Peron e Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

07 de janeiro de 2016 | 13h01

BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff evitou comentar nesta quinta-feira, 7, em café da manhã com jornalistas, o aparecimento do nome do ministro Jaques Wagner (Casa Civil) nas investigações da Lava Jato. Questionada sobre o impacto das investigações de um ministro tão próximo a ela, Dilma não citou o nome de Wagner, disse que o seu governo apoia todas as investigações, mas destacou que é preciso garantir o direito de defesa.  “Eu tenho certeza que poucos governos tiveram uma relação tão clara, tão explícita na garantia das condições de investigações”, disse. 

Conforme revelado pelo Estado hoje, um conjunto de mensagens telefônicas de texto recolhidas pela Lava Jato revela a proximidade do empreiteiro Léo Pinheiro, da construtora OAS, com importantes nomes ligados direta ou indiretamente ao PT e ao governo da presidente Dilma Rousseff: Jaques Wagner, ministro da Casa Civil, Fernando Haddad, prefeito de São Paulo, e Aldemir Bendine, presidente da Petrobrás. Nenhum dos três é alvo da operação.

Dilma disse que todos podem ser investigados e afirmou ter certeza de que ela mesma já foi alvo de apurações. “Eu tenho clareza que devo ter sido virada dos avessos. E tenho clareza também que podem continuar virando dos avessos. Sobre a minha conduta não paira nenhum embaçamento, nenhum questão pouco clara”, afirmou, ressaltando que apoia “integralmente” o trabalho do Ministério Público e da Polícia Federal.

Dilma disse que como presidente da República ela tem que entende “perfeitamente” a importância das diferentes operações que ocorreram no país. Para ela, as investigações permitirão que no médio e longo prazo as relações com recursos públicos, tanto dos agentes privados como do governo, serão melhoradas. “A impunidade hoje no Brasil começou a ser de fato ameaçada e doa a quem doer”, afirmou. “Não é possível ter dois pesos e duas medidas.”

A reportagem do Estado revelou que o conteúdo das mensagens mostra que Léo Pinheiro, condenado a 16 anos de prisão, atuou por interesses dos petistas em episódios distintos. No caso de Wagner, há negociação de apoio financeiro ao candidato petista à prefeitura de Salvador em 2012, Nelson Pellegrino, como também pedidos de intermediação do então governador da Bahia com o governo federal a favor de empreiteiros.

Ainda sem citar o ministro, Dilma disse que é preciso manter o direito de defesa e criticou o que chamou de “espetacularização”. “Tenho muito medo da espetacularização e vazamentos, vazamentos não se dão em um quadro de apuração de responsabilidade”, disse.

A presidente voltou a citar que as investigações devem punir pessoas que cometem atos ilícitos e não as empresas. “Nós não podemos acreditar que destruir empresas seja uma ação adequada para combater a corrupção”, disse. “Se pune pessoas, não se destrói empregos e empresas”, disse.

Petrobrás. Dilma falou rapidamente sobre a Petrobrás e disse que a empresa “não é a Lava Jato”. Ela destacou ainda que as dificuldades econômicas mundiais como o preço do petróleo atrapalham a empresa. “Não sabemos qual será o piso do petróleo. Ninguém sabe.”.

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