Dilma mudou de posição sobre o aborto, diz Marina

Candidata verde criticou petista no Rio: 'Eu não faço discurso de conveniência'

FELIPE WERNECK, O Estado de S.Paulo/RIO

29 de setembro de 2010 | 19h43

Defensora de um plebiscito nacional sobre a questão do aborto, a candidata do PV à Presidência, Marina Silva, afirmou hoje que a rival do PT, Dilma Rousseff, "já disse que era favorável depois mudou de posição". "Eu não faço discurso de conveniência", afirmou Marina, em rápida entrevista dada durante corpo a corpo na lotada Central do Brasil, no Rio de Janeiro. A candidata afirmou que chegou à capital fluminense um dia antes do debate da TV Globo para "reforçar o trabalho da militância".

 

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Evangélica, a candidata do PV afirmou que sua posição "tem sido coerente" com aquilo que acredita. "Não acho que em temas como esse se deva fazer um discurso uma hora de uma forma e uma hora de outra só para agradar o eleitor", acrescentou. Para ela, o importante é "discutir com transparência".

"A onda verde não para de crescer. Se Deus quiser vamos ter um segundo turno com duas mulheres", disse Marina. "A sociedade brasileira está sinalizando que quer uma mulher na Presidência depois de 500 anos de história. É justo que tenhamos duas mulheres com tempo igual para debater o Brasil." A candidata verde afirmou não ter "alianças incoerentes" e disse que não foi "para o vale tudo eleitoral nem para o ''promessômetro''.

Sobre a estratégia para o debate de amanhã na TV Globo, Marina declarou que vai manter a mesma "atitude de coerência" do anterior, na Record. "Vou debater o que interessa para o Brasil: saúde, educação e segurança pública, sem pegadinhas e ofensas pessoais. É assim que já estamos numa verdadeira onda verde. Na Amazônia, eu disse que é mais que uma onda, é uma pororoca verde."

Marina chegou à Central do Brasil de mãos dadas com o candidato do PV ao governo do Rio, Fernando Gabeira. Ela concedeu entrevista de dez minutos, percorreu a estação em mais dez minutos e deixou o local. Durante o corpo a corpo no meio da multidão que voltava do trabalho para casa, o vidro lateral de uma banca de jornal foi quebrado. Um assessor da candidata se prontificou a pagar o prejuízo para o dono do estabelecimento.

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