Dilma mostra certa preocupação com corrupção, diz FHC

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) afirmou que, diferentemente do seu sucessor Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a presidente Dilma Rousseff (PT) tem dado a impressão de que se preocupa com casos de corrupção no governo. Em entrevista ao programa "É Notícia", exibido na madrugada de hoje pela RedeTV!, FHC avaliou que Dilma é mais sóbria e tem "menos recursos retóricos" que Lula.

GUSTAVO URIBE, Agência Estado

07 de fevereiro de 2011 | 09h13

"Ela tem um outro estilo, demonstrou certa preocupação com a corrupção, o que Lula não demonstrava. Ao contrário, tentava minimizar", disse. "Isso é um bom sinal, mas ainda é cedo para julgar", comentou o ex-presidente. O tucano avaliou ainda que Dilma tem se posicionado de maneira "mais progressista" do que Lula sobre questões internacionais. De acordo com FHC, o ex-presidente petista "equivocou-se" ao não adotar uma postura mais crítica em relação ao Irã em episódios de desrespeito aos direitos humanos.

"Nós não podemos confundir a independência política com o desrespeito aos direitos humanos. Neste assunto, a presidente tem dado uma pontuação mais correta, mais progressista. Vamos ver se isso se mantém, tomara que se mantenha", afirmou Fernando Henrique. A gestão de Lula, na avaliação de FHC, teve méritos, como a ampliação do investimento e a expansão da distribuição de renda, o que contribuiu, de acordo com ele, para a eleição de Dilma. "O Lula fez coisas boas também para o Brasil", elogiou, dizendo que, na média, ele fez um bom mandato. O tucano observou, contudo, que a administração de Lula trouxe também retrocessos. FHC citou como exemplos a não realização de reformas estruturais, como a política e a tributária, e acordos com o que chamou de "setores atrasados", sem especificá-los.

Segundo o presidente de honra do PSDB, faltou ao partido nas três últimas eleições presidenciais, das quais saiu derrotado, defender as privatizações realizadas no governo tucano, um dos principais focos da munição petista durante as campanhas eleitorais. FHC considerou que a legenda "esqueceu completamente" de tratar o assunto de forma positiva. "O PSDB esqueceu, completamente, de reafirmar tudo isso, de maneira positiva. É como se isso tivesse sido errado. Não foi errado, nós não perdemos o controle das coisas, nós ampliamos a nossa capacidade produtiva", disse.

O tucano criticou ainda a polêmica criada tanto pelo PT como pelo PSDB em torno do aborto nas últimas eleições e declarou que recomendou na época ao então candidato tucano a presidência, o ex-governador de São Paulo José Serra, que não abusasse da publicidade na propaganda eleitoral gratuita na televisão. "Eu disse para o Serra falar sem ler, ser ele mesmo, assim como eu faço. O povo percebe quando é natural e quando está lendo", garantiu.

Conforme FHC, se o senador Aécio Neves (PSDB-MG) tivesse concorrido em 2010 como candidato a vice-presidente na chapa, a sigla, provavelmente, teria ganhado as eleições presidenciais. Para a sucessão em 2014, o ex-presidente disse que ainda é cedo para escolher o candidato da agremiação e defendeu a unidade do PSDB em torno do tema. FHC negou que pleiteie o posto de presidente nacional do partido, nome que será escolhido em maio, e disse que recomendou a Serra que não seria bom para ele concorrer ao cargo.

"Ele nunca declarou vontade de ser presidente do PSDB. Pessoalmente, eu não acho que seria uma boa para ele, já disse isso a ele", conta FHC. "Não que ele não quisesse ser candidato. O Serra tem um prestígio, uma posição de tal natureza que ele não precisa de função específica dentro do partido. Pode ter, mas não precisa."

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