André Dusek/Estadão
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Dilma minimiza polêmica sobre Levy em dia decisivo para ajuste fiscal no Senado

Em evento no interior do Pará, presidente faz defesa pública do titular da Fazenda, alega que ministro foi ‘mal interpretado’ e chega a se irritar com pergunta sobre o caso; no discurso, petista procurou explicar necessidade do pacote do governo

Leonencio Nossa , enviado especial de O Estado de S. Paulo

30 de março de 2015 | 14h41

Texto atualizado às 07h14 de 31/03/2015

CAPANEMA (PA) - Na véspera de um dia decisivo para o ajuste fiscal no Congresso, a presidente Dilma Rousseff minimizou nessa segunda-feira, 30, a mais recente declaração polêmica feita pelo titular da Fazenda, Joaquim Levy. Em entrevista em Capanema, a 160 quilômetros de Belém, Dilma afirmou que o ministro foi “mal interpretado” quando disse, numa palestra fechada em São Paulo, que a petista nem sempre faz as coisas de maneira mais “fácil” e “efetiva”.

“O que o Levy falou está dentro de um contexto. Se você pegar fora do contexto, vai entender distorcido”, afirmou Dilma. “Eu li e também tenho discernimento. Eu tenho clareza que ele foi mal interpretado. Tenho clareza disso.”

Na defesa de Levy - e de certa forma, de si própria -, a presidente afirmou que está aberta às palavras dos aliados. “Em política, às vezes, eu não posso seguir o caminho curto. Eu tenho que ter o apoio de todos que me cercam”, afirmou. “Então, temos uma questão de construir o consenso. Não temos que criar maiores complicações por isso.”

Uma repórter perguntou se as explicações do ministro foram suficientes. Dilma demonstrou certa irritação e disse que o ministro deu explicações “exaustivas”. “Ele ficou bastante triste com isso e explicou, sim senhora.”

Apesar do mal-estar provocado por mais uma declaração de Levy sobre o governo, desta vez Dilma preferiu defender o ministro a repreendê-lo publicamente, como fez em fevereiro. Na ocasião, a presidente considerou “infeliz” o comentário do titular da Fazenda, que usou o termo “brincadeira” para se referir à política de desonerações praticada no primeiro mandato da petista. Nesta terça-feira, 31,, Levy estará no Congresso em defesa das medidas do ajuste fiscal em um momento político delicado para o Planalto - daí a proteção ao ministro.

Oração. Dilma visitou a cidade paraense para entregar chaves de 1.032 casas do programa Minha Casa, Minha Vida. Lá, em meio ao mormaço amazônico, não faltaram sermões evangélicos e claque para aplaudi-la. O prefeito Sellon Martins (PR) e o vice-governador José da Cruz Marinho (PSC), evangélicos que subiram em palanques diferentes do dela na eleição do ano passado, fizeram “pregações” em favor do governo. “As autoridades são constituídas por Deus e devemos orar pela presidenta do Brasil. Peço a Deus a sabedoria de Salomão e José. Passamos por várias crises, mas Deus é maior”, pregou Martins.

No pleito passado, ele pediu votos para Aécio Neves (PSDB), mas chegou a distribuir santinhos de Dilma. Marinho afirmou que o programa habitacional era uma “bênção” e disse que orava pela presidente. 

No discurso, Dilma agradeceu e disse que as orações eram uma forma de todos estarem “juntos”. O prefeito organizou uma frota de ônibus - paga por empresários, segundo ele - para levar moradores de bairros da periferia de Capanema ao evento. A presidente também foi elogiada no discurso do ministro das Cidades, Gilberto Kassab. “Na história do Brasil e do mundo ninguém fez mais do que a presidenta Dilma.”

A petista aproveitou a fala em público para defender o ajuste fiscal. A uma plateia de cerca de 2 mil pessoas, Dilma afirmou que “uma coisa é ajustar o Orçamento e outra é reformar tudo”. “Nós não temos que reformar tudo”, disse. “O Brasil é muito maior do que esses problemas que estamos passando. Uma coisa vocês podem certeza: o governo federal não vai descansar um minuto, não vai parar um segundo, não vai ser detido por nada, vamos fazer o País crescer, gerar emprego e manter a expansão social.”

Tsunami. Dilma voltou a usar a metáfora do “tsunami” para falar da crise econômica. “O Brasil está enfrentando dificuldades, mas são passageiras”, afirmou. “O Brasil é hoje um país que tem reservas em dólar suficientes para aguentar qualquer crise internacional de volatilidade. Ao longo dos últimos seis anos, nós tivemos de segurar a onda, um verdadeiro tsunami da crise internacional.”

A presidente reclamou das avaliações negativas em relação ao PIB. “Mesmo com a revisão dos dados do PIB, falaram que o Brasil cresceu muito pouco em 2014. Agora ninguém diz que os dados da solvência melhoraram todos, todos. Nós estamos agora com 58% da dívida bruta sobre o PIB e, se não me engano, 39% ou 36% da líquida. Não tenho certeza.”

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