Dilma marca reunião com Temer para definir novo nome para o Turismo

Pedro Novais entrega ainda nesta quarta pedido de demissão da pasta, que deve continuar sob o comando do PMDB; ministro foi alvo de denúncias sobre mau uso de verbas da Câmara

Vera Rosa, Christiane Samarco, João Domingos e Marta Salomon, de O Estado de S.Paulo

14 de setembro de 2011 | 11h33

BRASÍLIA - O Planalto ainda não anunciou oficialmente a demissão do ministro Pedro Novais, do Turismo, porque a presidente Dilma Rousseff espera a chegada do vice-presidente Michel Temer a Brasília, na tarde desta quarta-feira, 14, para definir o substituto, que também sairá da cota do PMDB.

 

Pela manhã, Dilma afirmou que ainda não havia se encontrado com Pedro Novais e, portanto, não tinha ouvido as explicações sobre as últimas denúncias. "Primeiro a gente pede as explicações cabíveis. Eu voltei de São Paulo e hoje [quarta] nós vamos encaminhar isso, avaliar a situação e tomar as medidas cabíveis de forma muito tranquila", disse.

 

Embora as várias alas do PMDB estejam discutindo nomes para substituir Pedro Novais no Ministério do Turismo, o Palácio do Planalto já emitiu sinais de que quem não quer no cargo. Um dos vetados é o deputado Marcelo Castro (PMDB-PI), nome defendido pelo líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN). O vice-presidente da Caixa Econômica Federal (CEF) para Pessoas Jurídicas, Geddel Vieira Lima, também não tem chance porque é desafeto do governador da Bahia, Jaques Wagner (PT). No caso do nome do atual ministro Moreira Franco (Assuntos Estratégicos), o Planalto também não vê razão para tirá-lo de onde está, promovendo a sua transferência para o Turismo.

 

Na noite desta terça-feira, 13, algumas lideranças do PMDB ainda avaliavam que Novais poderia continuar no cargo, esperando pela demissão apenas no rastro da reforma ministerial, preparada por Dilma para o fim deste ano ou janeiro de 2012. Além de tirar nomes herdados do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a presidente vai mexer na equipe porque alguns ministros precisarão deixar o cargo para disputar as eleições municipais – caso de Fernando Haddad (Educação), que deve disputar a prefeitura de São Paulo pelo PT.

 

Apesar da resistência de alguns peemedebistas, o Planalto já tinha conhecimento das novas denúncias contra Novais na noite desta terça. A ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, recebeu a íntegra das repostas que a assessoria do ministro enviou ao jornal Folha de S.Paulo para tentar justificar o uso de verba pública do gabinete parlamentar para pagar aluguel de carros e, como ministro, o uso de um ex-motorista, empregado no gabinete do aliado, para servir à mulher.

 

Líderes do PMDB diziam que Novais tem uma personalidade “teimosa” e, por isso, estaria disposto a enfrentar as denúncias. Novais chegou cedo nesta quarta ao ministério. Com o PMDB informado sobre todos os detalhes do uso do motorista, o partido decidiu nesta manhã não mais fazer nenhum tipo de pedido junto ao Planalto em favor da manutenção de Novais no cargo.

 

Quinto ministro. Confirmada a demissão de Pedro Novais do Turismo, a saída representará a quinta queda ministerial do governo Dilma. Desde o início da gestão, deixaram o cargo Antonio Palocci (Casa Civil), Alfredo Nascimento (Transportes), Nelson Jobim (Defesa) e Wagner Rossi (Agricultura). / Com Tânia Monteiro, do Estado de S.Paulo

 

(Atualizada às 13h50)

 

 

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