Dilma mandou tocar o barco, diz ministro do Trabalho

Carlos Lupi diz ter recebido orientação da presidente para 'continuar trabalhando' e determinou abertura de sindicância para apurar denúncias de cobrança de propina em sua pasta

Jeferson Ribeiro, da Reuters

08 de novembro de 2011 | 11h21

BRASÍLIA - Em meio a denúncias de irregularidades no Ministério do Trabalho, o titular da pasta Carlos Lupi disse nesta terça-feira, 8, ter recebido da presidente Dilma Rousseff a orientação de continuar trabalhando e se defendendo das acusações. Reportagem da revista Veja desta semana afirma que três servidores e ex-servidores do Ministério do Trabalho estavam envolvidos num esquema de cobrança de propinas que revertia recursos para o caixa do PDT, partido de Lupi, que está afastado temporariamente da presidência da sigla por ser ministro.

"A presidente disse para eu tocar o barco, até porque não há nenhuma acusação que me atinja diretamente", disse Lupi à Reuters nesta terça, depois de ter conversado com a presidente na segunda-feira, 7.

Na edição desta terça do Diário Oficial da União foi publicado ato que instaura sindicância investigativa para apurar as denúncias da revista. No mesmo ato, o ministro afastou "cautelarmente", durante o prazo de apuração, o servidor Anderson Alexandre dos Santos, um dos suspeitos de envolvimento no esquema. O prazo de investigação é de 30 dias.

Não é a primeira vez que Dilma dá essa orientação a um ministro que sofre com denúncias. Há três semanas, quando Dilma conversou com o ex-ministro do Esporte Orlando Silva também lhe deu um voto de confiança e disse que ele deveria tocar o barco no ministério.

Contudo, menos de uma semana depois, ela decidiu pela saída do ministro. De forma semelhante, em outras mudanças ministeriais, Dilma deu apoio inicial ao ministro envolvido em denúncias de corrupção e depois de dias ou semanas os auxiliares acabaram deixando o governo.

No último sábado, 5, ao tomar conhecimento das acusações veiculadas na imprensa, Lupi afastou o servidor Anderson Alexandre dos Santos e nesta terça abriu sindicância interna para investigar o envolvimento dele nas denúncias.

"Até agora são acusações sem provas e anônimas. Eu estou pedindo investigação da Polícia Federal e do Ministério Público. Não pode uma denúncia dessas acabar com a reputação das pessoas", afirmou, num discurso parecido ao de Orlando Silva na época em que foi alvo de acusações.

O então titular do Esporte também pediu investigação da Polícia Federal e da Procuradoria Geral da República. Mas quando o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu investigar as denúncias que atingiam Silva, a pedido da Procuradoria Geral, sua permanência ficou insustentável.

Ainda nesta terça, Lupi se reunirá com a bancada do PDT para discutir uma estratégia de defesa e unir os pedetistas em torno da sua defesa.  "O partido todo está me apoiando. Quem pensa diferente, tem o direito de pensar diferente", disse o ministro ao comentar as declarações de alguns parlamentares de seu partido, caso do senador Pedro Taques (MT), que avaliou as acusações como "graves" e disse que "a sociedade merece resposta".

Ter o apoio irrestrito dos membros do seu partido no Congresso é fundamental para que o ministro continue tendo sustentação política junto à Dilma.

Histórico. Desde o início do governo Dilma, outros seis ministros já deixaram o cargo, cinco deles por terem seus nomes envolvidos em denúncias de irregularidades. As demissões começaram com o ministro mais poderoso do governo até então, Antonio Palocci (Casa Civil), e depois se seguiram com os ministros Alfredo Nascimento (Transportes), Wagner Rossi (Agricultura), Pedro Novais (Turismo) e Orlando Silva (Esporte).

Lupi já havia afastado seu chefe de gabinete e tesoureiro do PDT, Marcelo Panella, no primeiro semestre após outras denúncias de irregularidades. / Colaborou Rosana de Cássia, da Agência Estado 

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