Dilma ironiza convite de tucano para depor no Congresso

'Convite do senador Alvaro Dias eu não aceito nem para cafezinho', afirmou; petista ainda disse que negociação do Tamiflu não passou pela Casa Civil

Vera Rosa, Agência Estado

19 de setembro de 2010 | 15h56

A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, afirmou neste domingo, 19, que não aceitará qualquer convite do senador Alvaro Dias (PSDB-PR) para explicar, no Congresso, acusações de tráfico de influência na Casa Civil. "Convite do senador Alvaro Dias eu não aceito nem para cafezinho", devolveu Dilma. Ela disse que o tucano não está fazendo um convite, mas, sim, tentando criar mais um "factoide". "O senador Alvaro Dias tenta, sistematicamente, tumultuar essas eleições", insistiu a petista.

 

Na tarde de ontem, Dias cobrou explicações da candidata sobre a denúncia de que haveria um esquema de cobrança de propina na Casa Civil, conforme reportagem da revista Veja. "Alguém pode se dispor a ser presidente da República e não enxergar um propinoduto instalado a um palmo de seu nariz, um balcão de negócios?", provocou o senador.

 

Antes de participar de um cortejo de carros em Ceilândia, maior cidade satélite do Distrito Federal, Dilma negou irregularidades na Casa Civil e disse nem sequer conhecer Vinícius de Oliveira Castro, o assessor da pasta que acabou demitido na segunda-feira no rastro do escândalo envolvendo a ex-chefe do ministério Erenice Guerra. Sucessora de Dilma na Casa Civil, Erenice também caiu.

 

"Ele (Vinícius) era da confiança dela, não da minha", afirmou Dilma. "Não nomeei esse senhor nem o conhecia. Ele não era meu assessor." Segundo reportagem da Veja, Vinicius recebeu um envelope pardo contendo R$ 200 mil em junho de 2009, dentro da Casa Civil.

 

A revista afirma que o dinheiro era parte da propina que a Casa Civil teria recebido após a compra do medicamento Tamiflu, usado no tratamento da gripe suína. O remédio foi comprado sem licitação, em caráter emergencial, a um custo de R$ 34,7 milhões.

 

'Desespero'

 

Dilma afirmou que todo ministro ou "ex-ministro da Saúde" sabe que processos licitatórios da área "nada têm a ver com a Casa Civil", uma referência ao candidato do PSDB, José Serra, que foi ministro da Saúde de 1998 a 2002, no governo Fernando Henrique Cardoso. Ontem, Serra disse que "se Dilma sabia (da corrupção) é crime; se não sabia, não é boa administradora".

 

"O Tamiflu é fornecido por um único laboratório internacional. A negociação foi feita entre o Ministério da Saúde e a direção do laboratório. O preço foi reduzido em 76% e a Casa Civil não tem qualquer vinculação com processos licitatórios da Saúde", argumentou Dilma.

 

De microfone em punho, durante a carreata ao lado do candidato do PT ao governo do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, Dilma também tratou do assunto. "Não vamos deixar que o desespero deles (oposição) contamine a nossa campanha", afirmou.

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