Dilma insiste em plebiscito e diz que ouviu 'claramente a voz das ruas'

Presidente defendeu a proposta horas depois de o vice, Michel Temer (PMDB), ter descartado a aplicação das novas regras para as eleições de 2014

O Estado de S. Paulo

04 de julho de 2013 | 17h41

Horas depois de o vice-presidente Michel Temer ter descartado a realização de um plebiscito ainda neste ano sobre uma reforma política cujas regras válidas já valessem para as eleições de 2014, a presidente Dilma Rousseff reafirmou sua disposição de dar seguimento à proposta que, segundo ela, atende aos anseios das ruas.

"Esse pacto pela reforma política é um pacto pela melhoria da representatividade e tem de ser um pacto pela participação popular. Por isso, nós propusemos que ele fosse feito sob a forma de um plebiscito, que se consultasse a população do país sobre como ela queria a reforma política", disse ela, nesta quinta-feira, durante o lançamento do Plano Safra Semiárido 2013/2014, em Salvador (BA).

A presidente justificou que o Executivo federal não pode fazer a consulta popular porque é uma prerrogativa constitucional do Congresso. "Encaminhamos uma sugestão, pedindo ao Congresso Nacional que convocasse plebiscito para ouvir sobre como é que as pessoas acham que devemos votar, para ouvir como as pessoas deste país acham que nós devemos financiar as campanhas políticas, para ouvir se o voto no Congresso deve ser um voto secreto ou não, para ouvir como é que as pessoas acham que os suplentes de senadores devem ser eleitos e como se fará as coligações".

Dilma disse que acredita "na inteligência, na sagacidade, na esperteza do povo brasileiro" para decidir sobre estas questões. "Eu acho que o povo brasileiro sempre mostrou, ao longo de toda a nossa história, que as suas escolhas sempre foram escolhas acertadas. Portanto, eu não sou daqueles que acreditam que o povo é incapaz de entender porque as perguntas são complicadas, não é verdade. O povo brasileiro tem aquela inteligência que nos foi dada porque, graças a Deus, nós somos feitos de várias correntes e de vários veios".

Segundo a presidente, a reforma política é um dos cinco pactos firmados junto aos governadores, em reunião há duas semanas no Palácio deo Planalto, como forma de dar uma satisfação aos manifestantes que se espalharam pelas ruas das principais cidades brasileiras. "Eu quero dizer para vocês que esta presidenta aqui ouviu claramente a voz das ruas, tanto porque essa voz é legítima, quanto porque nós temos uma democracia, e faz parte da democracia a luta por mais direitos", disse.

Ao defender o seu governo e o do seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma disse que nos últimos 10 anos "ampliamos e olhamos para aquilo que é a coisa mais importante num compromisso político: aqueles que mais precisam, aqueles que menos têm". "Mesmo sendo presidenta de todos os brasileiros, dos que falam nas ruas e dos que não falam nas ruas, mesmo sendo presidenta de cada um dos brasileiros e das brasileiras, eu tenho de ouvir e de me preocupar e de pensar com aqueles que mais sofrem e menos têm", disse.

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