Dilma indica que não vai ceder sobre restos a pagar

Em almoço com senadores do PDT, presidente sinalizou que deve manter prazo do decreto apesar das reclamações da base aliada

Andrea Jubé Vianna, da Agência Estado

28 de junho de 2011 | 17h37

BRASÍLIA - No almoço com a bancada do PDT no Senado, a presidente Dilma Rousseff pediu aos senadores que não intensifiquem a pressão pela prorrogação do decreto sobre os restos a pagar relativos ao Orçamento de 2009 e não executados até o próximo dia 30 de junho, numa sinalização de que deve manter o prazo. Na segunda-feira, 27, o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), afirmou que "a tendência do governo" é não prorrogar o decreto. Nesta terça-feira, 28, em almoço com líderes dos partidos da base, a ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, reiterou a posição do Planalto.

 

Assinado pela presidente Dilma Rousseff no último dia 29 de abril, o decreto preservou as obras que estão em andamento relativas a 2007 e 2008 e fixou prazo até 30 de junho para que as obras e serviços com base nos restos a pagar de 2009 tenham início. A prorrogação deste prazo é um apelo dos líderes da base aliada para evitar o cancelamento de obras nos municípios.

 

"Milhares de pequenos municípios vão sofrer com isso (o cancelamento desses recursos)", admitiu o senador Pedro Taques (PDT-MT), que participou do almoço com Dilma. No entanto, ele se manifestou favorável à não prorrogação do decreto. Taques afirmou a Dilma que diante do contingenciamento de R$ 50 bilhões do Orçamento para cortar despesas, prorrogar o decreto comprometeria a credibilidade do governo.

 

Taques propôs a Dilma, ainda, que discuta com o Congresso, até o fim de seu mandato, o modelo de transferência de recursos federais por meio de emendas parlamentares individuais. Na avaliação do pedetista, esse instrumento transforma os parlamentares em "meros despachantes do Orçamento" e abre caminho para a corrupção.

 

Ainda durante o almoço, Dilma fez uma ampla exposição sobre a condução da economia nacional, reafirmando a prioridade do combate à inflação e da redução de juros . De acordo com o líder do PDT, Acir Gurgacz (RO), Dilma afirmou que a meta de seu governo é equiparar os juros brasileiros aos juros internacionais, de apenas um dígito.

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