Dilma: governo quer 'que se faça justiça' sobre mensalão

A Ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse que o governo espera que o correto prevaleça no julgamento da admissibilidade da denúncia do esquema do mensalão, que começou a ser realizado hoje no Supremo Tribunal Federal. "O governo espera que se faça justiça sem paixões", disse a ministra, em entrevista depois de participar do seminário "Obstáculos e soluções para o desenvolvimento da Infra-Estrutura", promovido pela Associação Brasileira de Infra-Estrutura e da Indústria de Base (Abdib).Leia também: - 'Sem governo, mensalão não existiria', diz procurador- Denúncia contra Dirceu é 'peça de ficção', diz defesa- Provas foram obtidas 'por meio ilícito', diz advogado de Valério Nesta quarta-feira, o Supremo Tribunal Federal (STJ) julga os 40 denunciados no caso do mensalão, entre eles o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu e ex-partidários do PT, como Sílvio Pereira e Delúbio Soares. Dilma afirmou ainda que concorda com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo defendeu que não há necessidade de ajuste fiscal para enfrentar a crise financeira internacional. "Acho que nós temos hoje uma consistência interna no País muito grande. Acho que é impossível a gente não reconhecer que US$ 160 bilhões de reserva não seja algo significativo", afirmou. Segundo ela, além das reservas, o Brasil dispõe de um saldo sustentável na balança comercial e tem um mercado interno crescente. Dilma concorda também com a previsão do ministro Mantega de crescimento de 5% da economia. Ela lembrou que no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) foi estabelecida uma meta de 4,5% e que esse porcentual já foi atingido. "O mercado está dizendo que há todas as condições de se ter um crescimento de até 5,2%. Eu ficaria satisfeita com 5%", disse. O que aumentou foi o PIB, não os tributos, diz Dilma A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, negou hoje que o aumento da carga tributária tenha sido decorrência do aumento de tributos. Segundo ela, o que aumentou foi o PIB e, conseqüentemente, a arrecadação. Na terça-feira, a Receita Federal anunciou que em 2006 a carga tributária bateu novo recorde de 34,23% do PIB. "Nós não temos aumentado tributos. Pelo contrário", afirmou a ministra, em entrevista depois do seminário "Obstáculos e soluções para o desenvolvimento da infra-Estrutura", promovido pela Associação Brasileira de Infra-estrutura e da Indústria de Base (Abdib).Ela disse que o governo reconheceu no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) que é preciso aumentar os investimentos, inclusive públicos, e diminuir a carga tributária, uma das maiores reclamações do empresariado. Segundo a ministra, esses objetivos devem ser seguidos, mantendo a estabilidade macroeconômica, "porque o dinheiro sai da mesma fonte". Para a ministra houve uma diminuição significativa de alguns impostos, principalmente com a desoneração dos investimentos de setores de infra-estrutura, como a construção civil.InstabilidadeDilma disse que não vê nenhuma possibilidade de a instabilidade do mercado internacional ter reflexo negativo nas licitações de obras de infra-estrutura que o governo está lançando neste ano, como a de rodovias e hidrelétricas. "Acho que as nossas condições internas possibilitam que tenhamos hoje recursos suficientes para financiar os nossos projetos", disse a ministra. "E não temos visto, além disso, nenhum desinteresse dos investidores estrangeiros, que estão previstos para participar dessas licitações", acrescentou Dilma, referindo-se principalmente aos investidores espanhóis, italianos e portugueses, que devem participar do leilão de rodovias e dos blocos de exploração de petróleo. "Pelo contrário, o que tem acontecido é uma procura crescente", afirmou.Segundo ela, hoje o País vive uma situação diferente do passado, nas crises da Ásia e da Rússia, por exemplo, quando fundos especulativos entravam no Brasil, atraídos pela cláusula de correção cambial. "Hoje, quem quer entrar nisso vê uma oportunidade de desenvolvimento no Brasil", afirmou. Segundo ela o País, hoje, tem estabilidade macroeconômica, democracia, respeita os contratos e as regras do jogo. "O Brasil mostra estabilidade institucional e macroeconômica", disse a ministra, lembrando que o País está num processo de redução de desigualdades. "E quando está fazendo isso tem uma grande vantagem. Tem um potencial de mercado interno extremamente significativo", disse.

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