BASTIDORES: Dilma ganha fôlego ao oferecer pastas

Porém, senadores e deputados da base aliada avaliaram mesta quarta-feira que ainda é preciso esperar o desfecho da reforma 

Adriano Ceolin e Erich Decat , O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2015 | 02h04

BRASÍLIA - A oferta de cinco ministérios ao PMDB e a manutenção dos vetos pelo Congresso na madrugada desta quarta-feira, 23, concederam uma espécie de sobrevida política à presidente Dilma Rousseff, mas não significaram a reconquista de sua governabilidade. Senadores e deputados da base aliada avaliaram mesta quarta-feira que ainda é preciso esperar o desfecho da reforma ministerial antes de dar segurança a votações mais complexas, como as propostas legislativas relacionadas ao pacote econômico, especialmente a proposta de emenda à Constituição que recria a CPMF.

Nesta quarta-feira, após uma série de reuniões entre lideranças do PMDB e integrantes do Palácio do Planalto, não se chegou a um consenso em torno da divisão dos espaços da legenda na Esplanada. Segundo integrantes do PMDB que participam das negociações, o desenho em que haveria uma fusão entre as secretarias de Portos e Aviação Civil não teve apoio dentro da legenda. Ambas as pastas são comandadas pelos ministros ligados ao vice-presidente da República, Michel Temer, que teria demonstrado resistência com as mudanças ensaiadas pelo Palácio do Planalto.

De acordo com integrante da cúpula do PMDB, Temer tem dito que considera a reforma administrativa necessária, mas que o momento não é o ideal e que, inicialmente, o governo deveria esperar a conclusão da votação dos vetos e dos projetos do novo ajuste. Diante do impasse, nas conversas realizadas nesta quarta-feira, a presidente Dilma Rousseff foi orientada por integrantes do PMDB a adiar o anúncio da reforma. "Se for para criar confusão, melhor não fazer", disse um peemedebista. Outro ponto de atrito é uma definição do futuro do ministro da Pesca, Helder Barbalho, filho do senador Jader Barbalho (PMDB-AP). Inicialmente, havia a possibilidade de Helder ser conduzido para o comando de uma estatal com a junção de sua pasta ao ministério da Agricultura. Nas reuniões desta quarta-feira não houve porém um consenso para onde o ministro seria realocado.

Fôlego. "Sem o PMDB da Câmara estar envolvido (no impeachment) fica mais difícil se avançar no processo de impeachment", disse o presidente do PP, Ciro Nogueira (PI), ao avaliar o efeito do desenho da reforma na sustentação política da presidente. Para a oposição, ela também teve um fôlego, mas ainda não se sabe se duradouro. "Ela teve um fôlego, mas não saiu da UTI. O governo é tão frágil que celebra como uma grande vitória a manutenção dos vetos", disse o líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB).

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou nesta quarta-feira que a oferta dos ministérios não condiciona a adesão do partido a todas votações na Casa. Ele descarta, por exemplo, a aprovação de uma emenda constitucional para a volta da CPMF. "Não é dar mais ou menos ministérios que vai mudar a posição da Casa de aprovar a CPMF", ressaltou. 

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