Dilma foge da crise e elogia Luiz Sérgio

Em Angra, presidente inaugura plataforma e anuncia segunda fase do Minha Casa, Minha Vida

Luciana Nunes Leal, Sergio Torres e Wilson Tosta

03 de junho de 2011 | 23h00

RIO - Enquanto o ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, passou a sexta-feira sob tensão, no esforço de apresentar uma versão convincente para o rápido crescimento de seu patrimônio, a presidente Dilma Rousseff dedicou o dia a uma "agenda positiva" no Rio de Janeiro. Evitou falar de política e manteve a imprensa a distância.

 

Em Angra dos Reis, Dilma posou sorridente ao lado de operários durante a inauguração da plataforma P-56 da Petrobrás e, em discurso, anunciou para meados deste mês o lançamento do programa Minha Casa, Minha Vida 2, que construirá "mais 2 milhões de moradias para a população brasileira". Também enalteceu o Brasil Sem Miséria, destinado a 16,2 milhões de pessoas que vivem em pobreza extrema e lançado na quinta-feira.

 

No estaleiro Brasfels, em Angra, Dilma prestigiou o ministro das Relações Institucionais, Luiz Sérgio, ex-prefeito da cidade e metalúrgico naval por 22 anos. Desde o início do governo o ministro teve a atuação ofuscada por Palocci, que centralizava as negociações com partidos e parlamentares. Com a fragilidade de Palocci, a base reclama do vácuo da articulação política, pois não vê em Luiz Sérgio autoridade para negociar.

 

Nesta sexta, Luiz Sérgio recebeu elogios de Dilma. "A presença do ministro aqui é importante, porque também ela é um símbolo. Um símbolo de que, no Brasil, os trabalhadores também podem ser ministros."

 

Ela lembrou o período em que a indústria naval estava em crise. "Naquela época, o mato crescia por entre as pedras e por entre o cimento. Não havia mais aquela força que tinha havido nos anos 80, com a presença de metalúrgicos, de trabalhadores da indústria naval aqui nos estaleiros do Rio", discursou Dilma.

 

Diante dos empregados do estaleiro, Dilma lembrou o antecessor, ao comentar a redução da pobreza. "Durante os oito anos do governo do presidente Lula, que eu tive a alegria de coordenar e a honra de suceder, nós tiramos 28 milhões de brasileiros da miséria. Mas ainda tem brasileiros na miséria", discursou.

 

No Rio, ela participou do anúncio do início das obras de contenção de encostas e de construção de pontes nos sete municípios atingidos pelos temporais de janeiro e assistiu à assinatura do "chamamento público" de empresas que vão construir 6.840 casas e apartamentos para as famílias que perderam as moradias.

 

A construção das casas começará só em outubro e as unidades serão entregues entre fevereiro e dezembro de 2012. Dilma procurou justificar: "As pessoas acham que as obras demoram a começar, mas, quando começam, nós já subimos e descemos duas vezes o Everest enfrentando a burocracia e buscando solução de problemas".

 

A solenidade, no auditório do Palácio Guanabara, foi restrita a convidados. A imprensa teve de acompanhar por um telão. Os discursos lembraram a tragédia que matou mais de 900 pessoas.

 

Demora. Quase cinco meses após o temporal na região serrana do Rio, ainda faltam terrenos para a construção das casas prometidas pelo governo para os desabrigados. Segundo autoridades federais, estaduais e municipais, a demora se deve à falta de projetos habitacionais nas sete cidades afetadas e à dificuldade das prefeituras em encontrar locais adequados para as obras. Pelo menos 175 pessoas ainda vivem em abrigos públicos e cerca de 7 mil famílias recebem um aluguel social de até R$ 500 por mês.

 

As autoridades locais afirmam que o número de imóveis disponíveis é pequeno. / COLABOROU BRUNO BOGHOSSIAN

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