Marcos D'Paula/AE - 29/5/2009
Marcos D'Paula/AE - 29/5/2009

Dilma faz estreia no forró no São João de Caruaru

Sem assumir candidatura em 2010, ministra diz que 'candidato do presidente Lula tem grande chance de ganhar'

ANGELA LACERDA, Agencia Estado

31 de maio de 2009 | 15h48

A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, fez sua estreia no forró na noite de sábado, 30, tendo como par o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, ao som do pandeiro, triângulo e zabumba, instrumentos que caracterizam o autêntico forró pé-de-serra. "Dancei bem dançado", contou ela.

 

A imprensa não pôde registrar a iniciação da ministra no ritmo nordestino, que aconteceu durante jantar na casa do deputado federal Wolney Queiroz (PDT), filho do prefeito de Caruaru José Queiroz (PDT), onde a ministra chegou, às 21h40, em uma van, vindo do Recife, a 130 quilômetros, com a comitiva do governador Eduardo Campos (PSB) - que incluía o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, e a secretária especial da Mulher, Nilcéa Freire - para participar da abertura do São João de Caruaru, a "capital do forró".

 

Ela destacou especialmente o som do triângulo, "maravilhoso". A festa em torno da ministra reuniu parlamentares do PMDB, PSDB, PDT e PP, além do PT. Depois, a ministra seguiu para o Pátio do Forró, no camarote da prefeitura, apreciando de cima - depois de ter subido 46 degraus - a multidão que se espalhava na praça enfeitada com balões e bandeirinhas, dançando e assistindo aos shows em um palco armado.

Mesmo cumprindo um roteiro de candidata, a ministra, que não assume a candidatura à Presidência da República em 2010 "nem amarrada", disse acreditar que "o candidato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seja quem for, tem grande chance de ganhar a eleição", ao comentar a afirmação do presidente de que o candidato do governo vai ganhar a eleição de 2010.

Ela afirmou estar aproveitando a "oportunidade rara" de conhecer as manifestações populares da diversificada cultura nordestina. No carnaval, ela esteve no Recife e em Olinda, quando foi reconhecida nas ruas. Numa região em que o presidente Lula tem alto índice de popularidade, Dilma comentou que em todo contato seu com o Nordeste sente "uma imensa afetividade por parte das pessoas". "Aqui é um dos melhores lugares para se viver, porque tem um baita calor humano, há facilidade de transmitir sentimento".

Tratamento

 

Esbanjando simpatia, a ministra não entrou em contato direto com as pessoas, não circulou pelas ruas. Ela lembrou que reduziu o ritmo de trabalho que era muitas vezes "excessivo", para um "ritmo normal" - dentro desse esquema, cancelou hoje sua participação em festa religiosa em Tabatinga - e falou sobre a quimioterapia a que se submete, em tratamento de um câncer linfático. "A quimioterapia não é algo fácil, é algo bastante desagradável, mas não é insuportável", disse.

A grande vantagem, segundo ela, é que tem data para acabar. "Ela (a quimioterapia) começa, mas ela termina". "Óbvio que em alguns momentos me sinto mais debilitada, em outros não sinto nada". "É assim: quanto mais se melhora mais chega perto da próxima (sessão de quimioterapia)".

Com a voz embargada, emocionou-se ao comentar a solidariedade que tem recebido da população por conta do câncer. "Nosso povo é muito mais compreensivo e consciente do que a gente imagina", disse ao falar das orações, medalhinhas e cartas que tem recebido dos brasileiros que estão na torcida pela superação da doença. "Só tenho a agradecer".

No camarote, pouco antes de deixar a festa para retornar ao Recife, ela se encontrou e abraçou o ex-presidente da Câmara Federal, Severino Cavalcanti (PP), que renunciou ao mandato devido ao envolvimento no chamado "escândalo do mensalinho" em 2005. Severino é atualmente prefeito da sua cidade natal, João Alfredo, no agreste. A ministra e a comitiva do governador passaram três horas em Caruaru. Deixaram a festa depois da meia noite, retornando ao Recife, onde hoje almoçou com Eduardo Campos no Palácio do Campo das Princesas, antes de embarcar para Brasília.

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