ANDRE DUSEK/ESTADAO
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Dilma faz carta de compromissos caso consiga reverter impeachment

Presidente afastada prepara documento para atender a movimentos sociais sobre acordos para um ‘novo governo’

Ricardo Galhardo, ENVIADO ESPECIAL, O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2016 | 11h36

BRASÍLIA - A presidente afastada Dilma Rousseff prepara carta de compromissos para o “novo governo” caso consiga reverter o processo de impeachment no Senado. O documento será entregue às frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular, que lideram manifestações contra o presidente em exercício Michel Temer, e vai indicar a intenção de uma guinada à esquerda, na direção contrária do que foi a segunda gestão da petista.

A carta, que ainda não tem título nem data para ser entregue, é uma reivindicação tanto dos movimentos sociais que integram as duas frentes quanto do núcleo próximo de Dilma e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, em diversas ocasiões, afirmou que a petista deve dizer claramente como e para quem vai governar se retomar o cargo.

Entre os pontos cobrados pelos movimentos sociais estão a garantia de uma política econômica com foco no crescimento econômico, manutenção dos programas sociais e geração de empregos, compromisso com a reforma política e a montagem de um Ministério formado por notáveis e representantes dos setores que lutaram contra o impeachment.

O objetivo seria quebrar resistências de setores da esquerda que têm defendido a realização de novas eleições presidenciais ou por desconfiarem da capacidade de Dilma em criar condições mínimas de governabilidade ou porque ainda guardam ressentimentos em relação às escolhas da petista no segundo governo.

Nesta sexta-feira, 10,  as duas frentes promovem uma série de atos contra o governo Temer em 40 cidades do País e em outras 16 dos EUA e Europa. O maior deles está marcado para a Avenida Paulista, em São Paulo. A expectativa é de reunir 100 mil pessoas. Lula confirmou presença. A presidente afastada incluiu o ato em sua agenda, mas sua participação vai depender das condições de segurança.

Árvore. Na quinta, 9,  Dilma se reuniu com cientistas, artistas e jornalistas em Campinas (SP) e visitou o Projeto Sirius, que consiste na construção de um acelerador de partículas. Em um almoço na casa do físico Rogério Cézar de Cerqueira Leite, a presidente afastada voltou a dizer que “é vítima de um golpe”. Segundo ela, há dois tipos de ruptura democrática, um é a ditadura e outro o golpe parlamentar. “O golpe militar é como cortar uma árvore de uma vez só. Já o parlamentar, que é o que estou sofrendo, é como colocar parasitas na árvore para que ela morra aos poucos”.

Impedida pelo governo de usar aeronaves da FAB para voos que não sejam para Porto Alegre, onde vive sua família, Dilma foi para Campinas em um avião fretado pelo PT. / COLABOROU MARCELO ANDRIOTTI, ESPECIAL PARA O ESTADO

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