Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Dilma fará novo encontro com Lula para discutir crise política

Antecessor deve sugerir mudanças em ministérios para acalmar o PMDB; Planalto teme que panelaço amplie dimensão de protestos marcados para o próximo domingo

Tânia Monteiro, O Estado de S. Paulo

09 de março de 2015 | 12h06

Atualizado às 12h17

Brasília - Para tentar achar uma saída para a crise política que atinge seu governo, a presidente Dilma Rousseff está agendando para esta terça-feira, 10, em São Paulo um encontro com o seu padrinho, ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O encontro está previsto para a hora do almoço, após agenda oficial da presidente na capital paulista. A relação com o PMDB deve ser o principal assunto da conversa.

Nesse domingo, 8, o Palácio do Planalto se surpreendeu com o panelaço e buzinaço, durante o momento em que Dilma fazia o seu pronunciamento em cadeia de rádio e TV, no qual pediu paciência ao povo brasileiro. O governo, que já estava preocupado com a dimensão que possa tomar a manifestação prevista para o próximo domingo, 15, ficou ainda mais preocupado.

No site oficial do partido, o PT avaliou o panelaço como um "fracasso" por ter ficado, segundo a avaliação da sigla, restrito a moradores de classe média alta. Ainda segundo dirigentes da legenda, as reações foram uma "orquestração com viés golpista" com objetivo de atacar o governo federal.

A presidente participou de uma reunião de coordenação no Planalto, na manhã desta segunda-feira, 9, mas desta vez com o vice-presidente Michel Temer, que esteve excluído dos demais encontros. Dilma se viu obrigada a convidá-lo para a coordenação, o que não fez, mesmo depois de ter prometido isso aos caciques do PMDB no jantar de segunda-feira passada. Temer não esteve na reunião de coordenação de quinta-feira, no Planalto e nem foi chamado para a desse domingo, no Palácio da Alvorada. O convite veio apenas para a reunião da manhã desta segunda. 

Ainda no esforço de aplacar a revolta dos aliados, Dilma janta nesta segunda com a bancada do PT. A presidente precisa convencer seu próprio partido que eles precisam apoiar as propostas e pedir seu apoio incondicional para a aprovação das medidas provisórias que poderão ser rejeitadas no Congresso, diante da irritação do PMDB com os desdobramentos da Operação lava jato. Na sexta-feira, 6, o ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki divulgou a lista de 34 parlamentares investigados sob suspeita de envolvimento no esquema de corrupção da Petrobrás.

Fora do Planalto já começaram a surgir informações de que o ex-presidente Lula vai aconselhá-la a promover, neste momento, uma troca de ministros para acalmar o PMDB e tentar trazê-lo de volta para a base, permitindo, assim as propostas para o ajuste fiscal proposto pelo governo possam ser aprovadas. No mês passado, a presidente e seu antecessor se encontraram na capital, depois de de mais dois meses sem uma conversa a sós. A intenção da conversa foi corrigir os rumos do governo, principalmente na relação política com o Congresso e com os partidos aliados.

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