Dilma: falta de médicos não é único problema da saúde

A presidente Dilma Rousseff voltou a defender o programa Mais Médicos na manhã deste sábado, em evento em Porto Alegre (RS). "Eu sei perfeitamente que não é só a falta de médicos que explica os problemas da saúde no Brasil, mas tenho também certeza que este é um dos problemas mais sérios", disse Dilma. Ela aproveitou para dizer que, caso as vagas disponibilizadas não sejam preenchidas por profissionais formados no País, o programa vai aceitar médicos com diploma estrangeiro.

BEATRIZ BULLA, CLAUDIA VIOLANTE E BIANCA RIBEIRO, Agência Estado

10 de agosto de 2013 | 14h09

As declarações sobre o Mais Médicos dominaram praticamente todo o discurso da presidente em evento para entrega de retroescavadeiras a prefeitos do Rio Grande do Sul, que aconteceu em Porto Alegre.

Dilma reforçou que a chamada pública para o programa Mais Médicos foi aberta com preferência e prioridade a brasileiros, mas ressaltou que, caso as vagas não sejam preenchidas, o País receberá graduados no exterior. "Não havendo médicos para preencher essas vagas, nós preencheremos com médicos estrangeiros, com diplomas que não são do Brasil", disse.

"Eu estive em todas as marchas dos prefeitos e havia uma unânime avaliação sobre um problema central em todos os Estados da federação que era a falta de médicos", comentou a presidente.

Ela afirmou que o Brasil hoje tem cobertura de 1,8 médico por mil habitantes. "A Argentina tem 3,2, o Uruguai, 3,7. Não estou me comparando com nenhum país desenvolvido, estou me comparando com meus vizinhos. Portugal tem 3,9 médicos, a Espanha tem 4", exemplificou Dilma. Ela afirmou ainda que mesmo o total de médicos hoje existente está distribuído desigualmente pelo território nacional.

"Temos 700 municípios sem nenhum médico, 1,9 mil municípios brasileiros têm menos de um médico por 3 mil habitantes. Nós temos um problema de acesso ao médico, daí porque o governo federal decidiu fazer o programa Mais Médicos, em consonância com os prefeitos", comentou a presidente. Ela reiterou que o intuito é não só aumentar o número de médicos como também melhorar a distribuição.

Segundo Dilma, o Estado do Maranhão, por exemplo, tem 0,58 médico por mil habitantes e o Pará tem 0,77. "Mesmo o Estado com maior número de médicos tem uma distribuição muito desigual. Há uma concentração de médicos nas zonas urbanas principais das capitais. Não tem médicos nas periferias das grandes cidades brasileiras, não tem médicos na mesma proporção no interior, no Norte e no Nordeste e, em algumas regiões do País, não há médicos", reforçou. Ela afirmou ainda que há deficiência em determinadas especialidades, como a pediatria e que há distribuição desigual também de leitos do SUS.

Por essas questões, a presidente reforçou que o governo atuará para a ampliação do número de médicos, formação acadêmica e também expansão e reforma de equipamentos de saúde.

Chamada pública

Sobre a polêmica envolvendo os médicos estrangeiros, Dilma exemplificou dizendo que, na Inglaterra, 37% dos médicos têm diplomas de outros países, enquanto no Brasil a proporção é de 1,79%.

"Nós não queremos comprometer empregos de médicos formados no Brasil, mas não aparecendo médicos para cumprir esse papel, iremos preencher as vagas com médicos trazidos do exterior."

Ela reforçou que o governo federal vai pagar R$ 10 mil reais para os médicos que se cadastrarem no programa para trabalhar no municípios que possuem vagas e ainda um adicional para o caso de localidades muito distantes. No caso do trabalho na Amazônia, segundo Dilma, o pagamento é de R$ 30 mil reais para a recolocação na região.

O edital, segundo Dilma, vai privilegiar o trabalho em periferias de grandes cidades, locais de difícil acesso, interior e Norte e Nordeste. Ela reforçou que as inscrições no programa serão reabertas.

"A duração do programa (para os estrangeiros) é de três anos", comentou. Terminado o período, o médico poderá se submeter a um concurso e receber um diploma equivalente ao brasileiro para trabalhar no País. "Nesse período de três anos, ele (estrangeiro) só pode atuar nesses regiões onde faltam médicos", explicou Dilma.

"Nós precisamos de ações emergenciais e ações estruturantes. A ação estruturante vai ser nossa disposição em aumentar a formação de médicos brasileiros no Brasil, aumentáramos 11 mil vagas na graduação e 12 mil vagas na residência", afirmou. Ela comentou que o governo tem hoje R$ 7,4 bilhões em execução na saúde e comentou que "não tem cabimento" municípios arcarem com custo dos médicos

Retroescavadeiras

Apenas no início de seu discurso, brevemente, a presidente falou sobre a entrega das retroescavadeiras e 40 municípios, motivo que a levou ao evento em Porto Alegre (RS). "O fato de o governo federal procurar os pequenos municípios e definir políticas específicas é o reconhecimento de que devemos ter políticas diferentes para situações diferentes", disse, sobre a entrega de máquinas retroescavadeiras.

A presidente afirmou que considera fundamental o programa de entrega de kits que contam com retroescavadeiras e também mencionou o programa Minha Casa, Minha Vida. Ela afirmou ainda que o governo privilegia a indústria fornecedora de máquinas e equipamentos nacional e que o programa tem também como critério aumento do emprego. Com a breve palavra aos prefeitos presentes, ela passou a discursar sobre o programa Mais Médicos e encerrou sua participação em eventos em Porto Alegre (RS).

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