Dilma fala em Bruxelas de economia, clima e Palestina

A presidente Dilma Rousseff começa amanhã, por Bruxelas, um esforço de aproximação com a União Europeia no momento em que a zona do euro atravessa a pior crise de sua história. Com o objetivo de aumentar a parceria comercial, que no primeiro semestre atingiu um nível recorde, a presidente vai tentar avançar nas negociações por um acordo de livre comércio entre a União europeia e o Mercosul, cujas discussões foram retomadas em 2010, mas ainda não resultaram em efeitos práticos.

ANDREI NETTO, Agência Estado

02 de outubro de 2011 | 19h03

A quinta reunião de cúpula do bloco com o Brasil, seu "parceiro estratégico", acontece sob o signo da crise das dívidas soberanas da Europa. Há 10 dias, as declarações do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que os países Bric estavam dispostos a auxiliar os europeus a enfrentar a turbulência causaram grande repercussão nas maiores capitais, como Berlim e Paris. A proposta não foi levada adiante, mas Dilma foi a Bruxelas com uma mensagem: a parceria com o Brasil pode ser um dos caminhos para a retomada do crescimento na Europa.

E o Brasil é de fato visto como um dos eldorados das empresas do bloco no mundo emergente. Isso porque, apesar da relação histórica, o país representa apenas 2% do comércio exterior da UE, o que o torna o nono parceiro mais importante no mundo. Interessadas em ganhar terreno, as empresas europeias apostam forte no mercado brasileiro. E os primeiros resultados começam a aparecer: no primeiro semestre de 2011, o comércio exterior entre os dois lados atingiu um pico histórico. As exportações para o Brasil passaram de 14,8 bilhões de euros a 16,9 bilhões de euros, mas o déficit comercial da UE aumentou de 100 milhões de euros para 1,6 bilhão de euros no período.

Além de comércio, Dilma vai tratar de temas políticos, como o reconhecimento do Estado Palestino, e ambientais, como a reunião Rio+20, prevista para junho de 2012. A Europa afirma que pretende levar uma posição agressiva à cúpula. Para discutir esses temas, ela terá reuniões com o rei da Bélgica, Albert II, e com líderes políticos como o primeiro-ministro, Yves Leterme, o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, e o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso. Seu primeiro compromisso oficial, porém, será com o secretário-geral da Federação Internacional de Futebol (Fifa), Jérôme Valcke, para discutir os preparativos para a Copa do Mundo de 2014.

Ontem, Dilma chegou a Bruxelas por volta de 14 horas acompanhada dos ministros Antonio Patriota, das Relações Exteriores, Fernando Pimental, do Desenvolvimento, Aloisio Mercadante, da Ciência e Tecnologia, Helena Chagas, da Comunicação Social, Ana de Hollanda, da Cultura, e Paulo Bernardo, das Comunicações. Sem programação oficial, Dilma visitou o Museu Magritte, dedicado ao pintor surrealista belga René Magritte.

Tudo o que sabemos sobre:
DilmavisitaBruxelas

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.