Dilma fala de crimes ‘passíveis’ de prisão perpétua

Gafe da presidenciável ocorreu durante uma entrevista a rádio, depois de ouvinte indagar se ela ‘peitaria uma luta pela prisão perpétua para pedófilos’

Roberto Almeida, de O Estado de S.Paulo

26 Maio 2010 | 19h57

SÃO PAULO - A participação de presidenciáveis em programas populares de rádio continua criando saias-justas. Nesta quarta-feira, 26, em São Paulo, foi a vez da petista Dilma Rousseff cair em uma "armadilha" de ouvinte ao participar do Programa Paulo Barboza, da Rádio Record AM.

 

Veja também:

 

Ouça entrevista de Dilma Rousseff ao participar de programa da Rádio Record

 

Maria Aparecida Sisto ligou para a rádio da Freguesia do Ó, na zona norte da cidade, para saber se Dilma mudaria as leis e "peitaria uma luta pela prisão perpétua para pedófilos". Em resposta, a petista disse "compartilhar da revolta" da ouvinte e afirmou, titubeante, que "dependendo da gravidade, tem crimes que podem ser passíveis de perpétua".

 

A informação, equivocada, já que a condenação máxima no Brasil é de 30 anos, precisou ser corrigida no bloco seguinte em um "esclarecimento". Mas antes disso o tema rendeu ainda mais imbróglios.

 

Na continuação da resposta, Dilma não agradou a ouvinte. A pré-candidata escolheu relativizar. "Agora tem de ver que crime, qual crime, porque se você penalizar todas as gradações do crime de forma igual, você não foca naquilo que é o mal maior", afirmou.

 

"Está satisfeita com a reposta?", perguntou o apresentador. "Mais ou menos. A minha pergunta é essa. A senhora entraria de peito e alma e tentaria mudar algumas coisas?", alfinetou Maria Aparecida.

 

"Eu entro de peito aberto", respondeu a petista, ao que a ouvinte emendou como sugestão "castrar todos os pedófilos". "É melhor aí a punição penal que a punição física", finalizou Dilma.

 

Esclarecimento. Na entrada do bloco seguinte, a petista, orientada por assessores, interrompeu o apresentador para esclarecer sua declaração sobre a prisão perpétua e, em seguida, criticar a suavização de pena em casos de pedofilia.

 

"Na verdade, no Brasil, qualquer condenação que vá por exemplo a 120, 130 anos, ela se reduz para 30 anos", retificou a pré-candidata. "O que é sério no Brasil, eu acho, continuando minha resposta, não é a questão que ela colocou da prisão perpétua. O que é sério é se um pedófilo vai ou não cumprir sua pena, ou vai ser liberado no caminho."

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