Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Dilma exonera Mozart Vianna, que atuava com Temer na relação com parlamentares

De acordo com decreto publicado nesta terça-feira no Diário Oficial da União, dispensa ocorreu a pedido de Vianna

Luci RIbeiro, O Estado de S. Paulo

25 de agosto de 2015 | 12h55

BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff exonerou Mozart Vianna de Paiva da subchefia de Assuntos Parlamentares da Secretaria de Relações Instituições (SRI), que estava sob o comando do vice-presidente da República, Michel Temer, no papel de articulador político. De acordo com decreto publicado no Diário Oficial da União (DOU) nesta terça-feira, 25, a exoneração ocorreu a pedido de Vianna.

Embora o discurso oficial afirme a permanência de Temer na articulação política do governo, agora tratando apenas de "macropolítica" e "grandes temas" e não mais do "pequeno varejo", a saída de Vianna é mais um indicativo do real distanciamento de Temer da função. Vianna, que já foi secretário-geral da Câmara, atuava diretamente com Temer na relação do Palácio do Planalto com o Congresso Nacional.

Temer avisou ontem a presidente Dilma Rousseff que deixará a articulação. Magoado com petistas e sob pressão do PMDB, ele não vai mais cuidar da negociação de cargos e emendas parlamentares. 

O movimento foi interpretado no Palácio do Planalto como o primeiro passo para o PMDB sair da aliança governista, como quer o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (RJ), denunciado pela Procuradoria-Geral da República por corrupção passiva e lavagem de dinheiro ao Supremo Tribunal Federal (STF). O desembarque do principal partido aliado do PT, porém, ainda é motivo de divergência. O PMDB, hoje, tem o controle de sete ministérios.

Oficialmente, o vice vai agora se dedicar a temas estratégicos, como reformas de interesse do Planalto, deixando de lado o dia a dia da articulação com a Câmara e o Senado, tarefa para a qual tinha sido designado por Dilma em abril.

Temer disse nesta terça, em entrevista coletiva, que a presidente pediu a ele que ficasse, mas ela mesma reconheceu que "agora estamos numa segunda fase articulação política", quando não é mais necessária a sua ampla atuação. "Passamos a primeira fase do ajuste fiscal e o governo teve vitórias necessárias", justificou, acrescentando que agora vai exercer "uma outra espécie de atividade, ainda na coordenação política". 

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