Dilma exclui PDT de reunião com líderes aliados da Câmara

A presidente Dilma Rousseff reuniu nesta quarta-feira, pela primeira vez, todos os líderes de partidos aliados ao governo na Câmara, mas excluiu o PDT. A decisão reflete o comportamento dos pedetistas em relação ao salário mínimo, segundo o ministro das Relações Institucionais, Luiz Sérgio.

REUTERS

02 de março de 2011 | 14h25

"A reunião de hoje foi uma reunião em que a presidenta convidou os líderes que estão 100 por cento afinados com o governo", disse Luiz Sérgio a jornalistas para explicar a ausência.

Em seguida, se apressou em dizer que "não foi uma retaliação e que o PDT continua com o governo".

Na votação do salário mínimo na Câmara, em fevereiro, nove deputados do partido apoiaram a emenda do DEM que previa um reajuste do valor para esse ano de 560 reais, 15 reais a mais do que os 545 reais aprovados, segundo a proposta do Executivo.

O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), tentou explicar de quem foi a decisão sobre a exclusão do PDT, mas não deixou muito claro. "Eu assumo toda a responsabilidade pela lista (de convidados). Mas eu só faço o que a presidente manda", argumentou.

Ele insistiu para tirar Dilma do centro da polêmica sobre a pena imposta ao PDT por não ter apoiado maciçamente o Executivo na votação do mínimo, mas voltou a tropeçar nas palavras ao dizer que "vivemos num regime presidencialistas e, portanto, as decisões do governo são presidencialistas."

Durante a reunião, Dilma informou aos líderes que voltará a fazer as reuniões do Conselho Político da Coalizão, criado no governo Lula e que reúne líderes e presidentes de partidos aliados, afim de manter os temas do governo em permanente debate com a base.

Segundo Luiz Sérgio, a primeira reunião será em 23 de março. Nesse caso, o ministro afirmou que o PDT será convidado e não haverá retaliações.

Dilma também tentou explicar aos parlamentares que os investimentos no programa Minha Casa, Minha Vida não estavam sendo cortado e que havia apenas uma mudança no cronograma.

"Ela disse que há 250 mil moradias sendo construídas e 750 mil já foram contratadas. Então, não adianta deixar o dinheiro guardado", contou o líder do PR na Câmara, Lincoln Portela (PR-MG).

Nenhum dos líderes, segundo o ministro Luiz Sérgio, fez menção sobre o corte de 18 bilhões das emendas parlamentares durante a reunião.

(Reportagem de Jeferson Ribeiro)

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