Dilma exalta 'força da democracia' e pede fim da violência

Manifestantes devem defender propostas 'com paixão', mas de 'forma pacífica e ordeira'

O Estado de S. Paulo

21 Junho 2013 | 21h34

Em pronunciamento feito em rede nacional de rádio e televisão nesta sexta-feira, 21, a presidente Dilma Rousseff disse que as manifestações que ocorrem no País mostram a "força da nossa democracia" e que, se "aproveitarmos bem o impulso desta nova energia política, poderemos fazer, melhor e mais rápido, muita coisa que o Brasil ainda não conseguiu realizar por causa de limitações políticas e econômicas". 

"Mas se deixarmos que a violência nos faça perder o rumo, estaremos não apenas desperdiçando uma grande oportunidade histórica, como também correndo o risco de colocar muita coisa a perder. Como presidenta, eu tenho a obrigação tanto de ouvir a voz das ruas, como dialogar com todos os segmentos, mas tudo dentro dos primados da lei e da ordem, indispensáveis para a democracia", frisou Dilma, em pronunciamento feito após três dias de silêncio quanto às manifestações que tomam conta das ruas.

A presidente disse que os manifestantes devem defender com "paixão suas ideias e propostas", mas frisou que isso precisa ser feito de "forma pacífica e ordeira".  "O Brasil lutou muito para se tornar um país democrático. E também está lutando muito para se tornar um país mais justo. Não foi fácil chegar onde chegamos, como também não é fácil chegar onde desejam muitos dos que foram às ruas", disse. 

Dilma destacou que "os manifestantes têm o direito e a liberdade de questionar e criticar tudo", "de propor e exigir mudanças" e  "lutar por mais qualidade de vida", mas ressaltou que "o governo e a sociedade não podem aceitar que uma minoria violenta e autoritária destrua o patrimônio público e privado, ataque templos, incendeie carros, apedreje ônibus e tente levar o caos aos nossos principais centros urbanos."

"Não podemos conviver com essa violência que envergonha o Brasil. Todas as instituições e os órgãos da Segurança Pública têm o dever de coibir, dentro dos limites da lei, toda forma de violência e vandalismo. Com equilíbrio e serenidade, porém, com firmeza, vamos continuar garantindo o direito e a liberdade de todos. Asseguro a vocês: vamos manter a ordem", afirmou.

Para Dilma, as manifestações desta semana trouxeram "importantes lições", como a redução no preço das tarifas e o fato de as pautas dos manifestantes "ganharam prioridade nacional". "Temos que aproveitar o rigor destas manifestações para produzir mais mudanças. Mudanças que beneficiem o conjunto da população brasileira. A minha geração lutou muito para que a voz das ruas fosse ouvida. Muitos foram perseguidos, torturados e morreram por isso", afirmou.

A voz das ruas, disse a presidente, precisa "ser ouvida e respeitada" e "não pode ser confundida com o barulho e a truculência de alguns arruaceiros". Na avaliação da presidente, a mensagem das ruas é ""pacífica e democrática" e reivindica um combate sistemático à corrupção e ao desvio de recursos públicos. "Todos me conhecem, disso eu não abro mão", prosseguiu Dilma.

"Esta mensagem exige serviços públicos de mais qualidade. Ela quer escolas de qualidade; ela quer atendimento de saúde de qualidade; ela quer um transporte público melhor e a preço justo; ela quer mais segurança. Ela quer mais", disse a presidente.

RAFAEL MORAES MOURA, RICARDO BRITO E TÂNIA MONTEIRO

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.