Dilma evita falar sobre sigilo fiscal de Verônica Serra

A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, destacou a importância de estreitar as relações entre Brasil e Colômbia, após o encontro hoje com o novo presidente colombiano, Juan Manuel Santos, em Brasília.

ANDREA JUBÉ VIANNA, Agência Estado

01 de setembro de 2010 | 13h10

Na saída do compromisso, ela conseguiu evitar perguntas polêmicas sobre a nova denúncia envolvendo a quebra de sigilo fiscal da empresária Verônica Serra, filha do presidenciável do PSDB, José Serra. A assessoria de imprensa de Dilma encerrou a entrevista coletiva na porta da embaixada da Colômbia antes que as perguntas avançassem para os temas embaraçosos.

A alegação foi de que a entrevista seria encerrada a pedido dos jornalistas colombianos, que tinham de sair mais cedo para cobrir o encontro de Santos com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, agendado para 11h30.

Reportagem na edição de hoje do jornal O Estado de S. Paulo revela que documentos da investigação feita pela corregedoria da Receita Federal mostram que o sigilo de Verônica Serra teria sido violado no dia 30 de setembro de 2009, na delegacia do órgão em Santo André (SP).

Ontem, em entrevista ao Jornal da Globo, Serra classificou de "ato criminoso" a quebra do sigilo fiscal de sua filha e responsabilizou a campanha de Dilma. "Utilizar filho dos outros para ganhar a eleição é uma coisa que eu só tinha visto o Collor fazer com o Lula, lembra?", disse o tucano.

Com o encerramento antecipado da entrevista, só houve tempo para repercutir a conversa da candidata com o chefe de Estado colombiano, que ela classificou de "excepcional". Segundo a petista, ambos compartilham a visão de que esta é a "década da América Latina", de fortalecimento e desenvolvimento dos países da região. A Colômbia não faz parte do Mercosul e, nos últimos anos, manteve laços mais estreitos com os Estados Unidos e o México, no âmbito da comunidade andina de comércio.

PT e as Farc

Segundo Dilma - que foi ao encontro de Santos acompanhada do ex-ministro Antonio Palocci, um dos coordenadores da sua campanha -, Santos não discutiu as acusações do PSDB de que o PT teria ligações com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), a guerrilha responsável por ações de terrorismo e narcotráfico no país vizinho. Ela ressaltou que Santos já refutou essas denúncias na entrevista concedida à Revista Veja desta semana.

"Ele sabe que nossa posição é muito clara sobre isso, absolutamente contrária ao narcotráfico". "No Brasil, as Farc são mais um problema do meu adversário", alfinetou a petista. Há um mês, o candidato a vice na chapa de Serra, Índio da Costa (DEM), acusou o PT de manter ligações com a guerrilha.

Reforço das fronteiras

Neste aspecto, Dilma ponderou que as Farc são um problema da Colômbia e que o País só intervirá neste assunto, com ações de pacificação ou diálogo, a pedido do governo colombiano.

Ela falou que os dois países selaram um pacto de reforço da segurança nas fronteiras, porta de entrada de drogas no Brasil. E lembrou que vai comprar dez aviões não tripulados para reforçar o patrulhamento da região compartilhada pelas duas nações.

Dilma e Santos também conversaram sobre novas parcerias entre Brasília e Bogotá na área de energia e combustíveis. Ela relatou, por fim, que Santos quis saber mais sobre as políticas sociais do governo Lula, como o programa Bolsa Família e ações na área de agricultura familiar. Amanhã, o presidente da Colômbia se encontra com mais dois candidatos a presidente do Brasil, José Serra e Marina Silva (PV), em São Paulo.

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