Eduardo Nicolau/Estadão
Eduardo Nicolau/Estadão

Dilma evita falar em reajuste de gasolina

"Não existe uma lei divina que obrigue a atrelar ao mercado internacional", defendeu, dizendo que os Estados Unidos têm política parecida com relação ao gás de xisto

JOSÉ ROBERTO CASTRO, CARLA ARAÚJO E STEFÂNIA AKEL, Estadão Conteúdo

08 de setembro de 2014 | 16h38

A presidente Dilma Rousseff se negou nesta segunda-feira, durante a série Entrevistas Estadão, a dizer qual o valor e quando será o próximo reajuste da gasolina no País. A presidente disse, no entanto, que não vai haver um "tarifaço" após as eleições. Para justificar sua posição, a presidente comparou o aumento do combustível na refinaria com a inflação medida pelo IPCA.

Segundo Dilma, o combustível teve um aumento real de cerca de 7%. A presidente disse levar em conta os custos de produção que são importados, mas afirmou que não há obrigação de atrelar o aumento do combustível no Brasil ao mercado internacional. "Não existe uma lei divina que obrigue a atrelar ao mercado internacional", defendeu, dizendo que os Estados Unidos têm política parecida com relação ao gás de xisto, cujo preço mais baixo ajuda na competitividade da indústria norte-americana. "Querem vincular o preço do petróleo do Brasil ao praticado lá fora. Por que, a quem interessa e a quem beneficia?", questionou.

A presidente disse considerar legítima a demanda da Petrobras por um reajuste maior para os combustíveis, uma vez que a empresa tem acionistas e deve visar o lucro. Mas ao mesmo tempo, Dilma disse que a riqueza explorada pela empresa tem "202 milhões de acionistas", o povo brasileiro. "É uma discussão que cabe à Petrobras e ao seu conselho", afirmou. A presidente disse ainda que o reajuste será feito "moderadamente". Dilma garantiu ainda que não há represamento de preços de energia elétrica e desafiou alguém a mostrar atraso na tarifa de energia. "Tudo que está previsto pela legislação está sendo repassado", afirmou.

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