Dilma evita falar da crise no Esporte em visita a Manaus

A instabilidade do ministro Orlando Silva à frente do Esporte foi ignorada durante a rápida visita da presidente Dilma Rousseff a Manaus, para inaugurar a Ponte Rio Negro e anunciar a prorrogação da Zona Franca de Manaus por mais 50 anos. Para o deputado estadual Sinésio Campos (PT), o assunto não foi tocado por "estar resolvido" para a presidente. "Ele (o ministro) vai ficar e aqui hoje é dia de festa", disse.

LIEGE ALBUQUERQUE, Agência Estado

24 de outubro de 2011 | 17h32

Na inauguração, a presidente passou por uma saia justa que acabou condensando seu discurso em oito minutos. Quando foi cumprimentar os prefeitos, ouviu vaias das cerca de 100 mil pessoas presentes, segundo a polícia militar, agitadas num calor de 40 graus e segurando cartazes com xingamentos ao prefeito de Manaus, Amazonino Mendes (PDB), ausente no evento. No sábado, às vésperas do aniversário de 342 anos da cidade, comemorado hoje, o prefeito aumentou a passagem de ônibus.

Dilma não entendeu as vaias e fez um gesto para pararem de vaiar, quando ouviu uma explicação rápida do senador Eduardo Braga (PMDB) sobre as razões do estresse. "Ai meu Deus do Céu, I know (eu sei)", falou ao microfone. "Gente, agora dá um tempinho, né? Eu estou muito feliz de estar aqui inaugurando esse monumento à altura do aniversário da cidade, prorrogando a Zona Franca de Manaus que preserva o meio ambiente e dá emprego e renda", desconversou.

Antes de Dilma, o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva contou ao microfone que pediu à presidente para estar presente ao evento. "Fiz questão para olhar na cara de cada um de vocês e dizer que valeu a pena esperar por essa obra. E quero dizer que assim como vocês sabem que valeu a pena votar num metalúrgico, vão ver que valeu a pena votar numa mulher que vai provar competência muito mais do que muitos homens que já governaram esse país", disse em meio a aplausos e gritos de "herói".

Atrás do palco, um balão gigante do Greenpeace contrastava com o negro do rio. O balão tinha a frase "Senado, desliga essa motosserra" - tentativa da ONG de chamar a atenção das autoridades presentes ao debate sobre a discussão das mudanças na legislação ambiental no Congresso.

A Ponte Rio Negro, com 3,5 quilômetros de extensão, custou R$ 1,099 bilhão, mais que o dobro que o previsto. Foi construída em três anos e meio e é a maior ponte estaiada do País (com 400 metros de trecho suspenso por cabos) e a segunda maior do mundo, atrás da ponte sobre o rio Orinoco, na Venezuela. O trajeto que um carro deve fazer em minutos era feito em 2 horas em balsas.

Tudo o que sabemos sobre:
DilmaManausponte

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.