DIDA SAMPAIO|ESTADAO
DIDA SAMPAIO|ESTADAO

'Dilma está firme, indignada pela injustiça, mas tranquila', diz Jaques Wagner

Segundo Wagner, a presidente deve dar uma declaração à imprensa apenas na manhã desta quinta-feira

Carla Araújo, O Estado de S.Paulo

11 de maio de 2016 | 20h22

BRASÍLIA - O ministro do Gabinete Pessoal da Presidência, Jaques Wagner, disse ao Broadcast Político, serviço de notícias em tempo real do Estado, que esteve por diversas vezes nesta quarta-feira, 11, com a presidente Dilma Rousseff e que ela está "firme" e "indignada". "Como é da característica dela, ela está firme, indignada pela injustiça e pela violência que está sendo cometida, mas está tranquila, administrando os atos de governo como qualquer presidente tem que fazer e aguardando a decisão dos senadores", disse o ministro. Dilma chegou no início da tarde no Palácio do Planalto e está despachando em seu gabinete.

Segundo Wagner, a presidente deve dar uma declaração à imprensa apenas na manhã desta quinta-feira, 12, depois que for concluída a votação do processo de impeachment no Senado. "Amanhã ela deve falar à imprensa e depois se encontrar com o nosso povo, com aqueles que discordam de tudo que está acontecendo no Brasil", disse o ministro.

Apesar de já reconhecer a derrota nesta quarta-feira no Senado, Wagner afirmou que a presidente Dilma acredita que é possível retornar ao governo após o afastamento de 180 dias. "Ela e nós todos acreditamos, até porque há uma convicção de que não há crime de responsabilidade", disse.

O ministro disse ainda que é possível fazer um trabalho de convencimento dos senadores neste período. "Temos confiança que a consciência chegará a pelo menos 28 senadores e que a gente volte para o governo e ela reassuma", disse.

Wagner confirmou que Dilma não descerá a rampa depois que for notificada do seu afastamento e reiterou que ela continua presidente e o vice-presidente Michel Temer será apenas o presidente em exercício. "Ela vai sair pela porta da frente, mas não pela rampa. Na rampa sobem os eleitos e descem aqueles que concluíram seu mandato. Ela não concluiu seu mandato e eu espero que ela desça a rampa no dia primeiro de janeiro de 2019", afirmou.

Para Wagner, além de "golpe" o impeachment é uma tentativa de atalho da democracia. Ele acusou ainda que Temer participou ativamente da articulação junto com a oposição. "É um atalho daqueles que perderam a eleição de 2014, se utilizando inclusive do vice-presidente da República, para tentar impor um projeto de governo que não foi eleito em outubro de 2014."

Segundo o ministro, que mesmo após deixar a Casa Civil em março deste ano é um dos principais conselheiros de Dilma, a presidente não vai ficar recolhida no Alvorada. "Eu acredito que ela vai continuar na sua atividade política, eventualmente viajando pelo País, trabalhando", disse.

Wagner ocupou até a Casa Civil até março deste ano e saiu para dar lugar ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que, no entanto, não conseguiu assumir por medida judicial que questiona a nomeação do ex-presidente. O caso está no Supremo Tribunal Federal.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.