Dilma escolhe nome ligado a Sarney para chefiar Furnas

Em mais uma demonstração pública de afirmação de sua autoridade e da animosidade que marca a relação entre os partidos da base aliada, a presidente Dilma Rousseff confirmou ontem a escolha do engenheiro Flávio Decat para presidir Furnas Centrais Elétricas. Dilma tinha a intenção de levar Decat para a Eletrobrás, mas a crise política vivida por Furnas, com a circulação de dossiês e acusações mútuas entre petistas e peemedebistas, foi decisiva para fazê-la mudar a escolha.

AE, Agência Estado

04 de fevereiro de 2011 | 09h43

Dois nomes são agora cotados para o comando da Eletrobrás: o do ex-presidente da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) José da Costa e o do secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann. O atual presidente da Eletrobrás, José Antonio Muniz Filho, deverá ser deslocado para a presidência da Eletronorte, cargo que já ocupou.

A montagem da cúpula do setor elétrico demonstra, mais uma vez, a força do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), no atual governo. Flávio Decat, que ultimamente estava no Grupo Energia, do setor privado, tem o apoio de Sarney e do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão. Sarney elegeu-se para a presidência do Senado pela quarta vez na terça-feira. Muniz Filho, que agora deverá ir para a Eletronorte, também é afilhado de Sarney.

Investigação

O nome de Flávio Decat foi citado em uma das interceptações telefônicas feitas pela Polícia Federal (PF) na chamada Operação Boi Barrica, que investigou o empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

As gravações mostram que, em 2008, Fernando pediu ao pai auxílio para nomear Decat para um cargo na Eletrobrás, estatal que estava sob a influência do então ministro das Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB), aliado de Sarney. "Manda passar lá no Senado, às 17h30, no meu gabinete", disse o senador, na época. Decat acabou nomeado para uma diretoria da Eletrobrás cerca de três meses após o telefonema interceptado pela PF.

Em julho de 2009, a pedido de Fernando Sarney, o jornal O Estado de S. Paulo foi proibido de divulgar informações a respeito da Operação Boi Barrica. Em dezembro daquele ano, o empresário entrou com pedido de desistência da ação, mas o jornal preferiu esperar pelo julgamento do mérito do caso. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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