Dilma entra com discrição na campanha de Haddad e preocupa petistas paulistanos

Sucessão 2012. Evento no Memorial da América Latina reuniu pré-candidato do PT à Prefeitura, ex-presidente, presidente e ministros; a petista não fez nenhuma deferência especial ao ex-titular da Educação e seu antecessor também não deu entrevistas

FERNANDO GALLO , BRUNO BOGHOSSIAN , ESTADÃO.COM.BR, O Estado de S.Paulo

19 Maio 2012 | 03h07

Na primeira participação pública de Dilma Rousseff na pré-campanha eleitoral paulistana deste ano, prevaleceu o estilo sóbrio e cauteloso da presidente, para preocupação de petistas que contam com a entrada efetiva dela para tirar o pré-candidato Fernando Haddad (PT) da rabeira nas pesquisas.

Ontem, ela participou de eventos públicos na capital paulista de Haddad e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Dilma viajou com uma comitiva de ministros. Porém, fez apenas um gesto político silencioso. Ela posou para fotos com o ex-ministro, mas não discursou para fazer elogios ao pré-candidato.

A presidente visitou a exposição Guerra e Paz, de Candido Portinari, no Memorial da América Latina, com Haddad, Lula e os ministros Aloizio Mercadante (Educação), Ana de Hollanda (Cultura) e Gilberto Carvalho (Secretaria Geral).

Haddad não recebeu da presidente nenhuma deferência especial. Os dois entraram e saíram separados e também separados se sentaram para assistir a um vídeo sobre a obra de Portinari. O ex-ministro permaneceu todo o tempo na segunda fileira, ao lado de sua mulher, Ana Estela.

Só para fotos. O pré-candidato e a presidente se juntaram publicamente apenas para fotos - símbolos da entrada de Dilma e de seu alto escalão na campanha.

Petistas relatam que a presidente ainda hesita em mergulhar na campanha, a pouco mais de quatro meses das eleições. Ela deve beneficiar Haddad com pequenas aparições públicas para "colar" sua imagem e a figura de Lula ao pré-candidato antes do início da propaganda eleitoral na TV.

A última pesquisa de intenção de voto do Ibope mostra que 65% dos paulistanos consideram a administração de Dilma ótima ou boa. Apenas 5% desse grupo, no entanto, declaram que pretendem votar em Haddad.

A equipe de campanha admite que um movimento mais significativo de Dilma neste momento impulsionaria a candidatura petista em São Paulo. Eles ressaltam, no entanto, que é a presidente quem vai decidir a hora de agir.

Em fevereiro, Dilma avisou que não participaria de campanhas em cidades onde há mais de um candidato da base governista, mas o PT espera que a presidente reveja sua postura no caso de São Paulo. Para eles, a cautela de Dilma se contrapõe à ousadia de Lula, que chegou a subir três vezes na mesma semana ao palanque de Marta Suplicy na eleição para a Prefeitura em 2004.

Petistas afirmam que Dilma mencionaria Haddad em um discurso que deveria fazer em outro evento programado para ontem. A presidente participaria da inauguração de um prédio da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) em Diadema, na região metropolitana, mas desistiu quando soube que poderia enfrentar uma manifestação de professores grevistas.

Para o partido, como o tema dessa solenidade era educação, uma citação ao ex-ministro era inevitável. Em um evento cultural, um gesto de apoio a Haddad era mais improvável. "Não dá pra fazer política com o Portinari, né?", comentou um petista.

Lula na TV. Assim como os ministros, Dilma e Lula saíram do evento juntos e silenciosos para uma visita ao cardeal d. Paulo Evaristo Arns. Livre de cargo, Lula não corria risco de ser acusado de uso da máquina pública para promover Haddad, mas também não concedeu entrevista.

O ex-presidente deverá citar o pré-candidato na segunda-feira, em uma homenagem que receberá na Câmara Municipal de São Paulo, e na terça, em entrevista ao Programa do Ratinho, no SBT.

Haddad deu entrevista sozinho. "O presidente Lula e a presidenta Dilma são lideranças importantes no País. Em qualquer eleição a opinião deles terá um peso importante", disse.

Segundo o pré-candidato, Dilma fez uma visita "de cortesia" a São Paulo.

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