Dilma encontra líder socialista, que faz críticas ao aliado Sarkozy

Candidata petista teve reunião com Martine Aubry, secretária-geral do Partido Socialista, em seu primeiro evento político na capital francesa

Andrei Netto CORRESPONDENTE e João Domingos ENVIADO ESPECIAL / PARIS, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2010 | 12h01

Recepção. Dilma cumprimenta a secretária-geral do Partido Socialista, Martine Aubry

 

A primeira reunião de trabalho da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, em sua turnê pela Europa, nesta quarta-feira, 16, em Paris, deu uma amostra da complexidade das relações políticas internacionais que a petista terá de enfrentar caso assuma o Palácio do Planalto. Ao receber Martine Aubry, secretária-geral do Partido Socialista (PS), o maior da esquerda francesa, Dilma ouviu críticas ferozes a um aliado de Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente da França, Nicolas Sarkozy - contra quem a brasileira teria se comprometido a apoiar o futuro candidato socialista em 2012.

 

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O encontro aconteceu pela manhã no hotel Champs Elysées Plaza, onde Dilma está hospedada desde a terça-feira. Enquanto Dilma concedia entrevista ao jornal Le Monde, Martine Aubry teve de esperar no saguão por 20 minutos, tempo no qual foi ciceroneada pelo secretário-geral do PT, José Eduardo Cardozo. Ao subir ao quarto da brasileira para a reunião, ambas falaram por cerca de 40 minutos sobre crise e crescimento econômico, luta contra o liberalismo financeiro, sistemas previdenciários e meio ambiente. "Foi um encontro caloroso. Tivemos a impressão de que nos conhecemos desde sempre", afirmou a francesa.

 

Martine contou ter feito críticas enfáticas ao projeto de lei de reforma previdenciária, que Sarkozy havia enviado ao Parlamento pela manhã. "O que Sarkozy fez é injusto e totalmente irresponsável", definiu, menosprezando a proximidade entre os presidentes da França e do Brasil. Segundo o relato da francesa, a petista também teria feito críticas ao menos tácitas ao chefe de Estado francês. "Dilma me disse que (o projeto de Sarkozy) é o inverso da política do presidente Lula, que tenta aumentar as aposentadorias para que haja consumo e relançamento da atividade econômica."

 

A líder socialista francesa afirmou ainda que há grande identidade política entre o PT e o PS e que o trabalho de Dilma é acompanhado de perto na França. "No Partido Socialista, seguimos o percurso de Dilma Rousseff ao lado de Lula há muito tempo e sabemos de sua importância", garantiu. Tamanha proximidade programática, disse a francesa, deve conduzir os dois partidos a participarem um da campanha do outro. Além do Brasil, em 2010, a França terá eleições presidenciais em 2012. "Estamos dispostos a fazer a sua campanha", disse Martine. "E Dilma nos disse que viria fazer a nossa, a do nosso candidato socialista."

 

Protesto. Enquanto Dilma Rousseff e Martine Aubry posavam para fotos na entrada do hotel Champs Elysées Plaza, o brasileiro José Tadeu protestou contra a proximidade entre o PT e a família Sarney. "Sarney é igual a Hitler! Sarney é igual a Hitler", repetia, em gritos histéricos que pararam a rua. Com a manifestação, a petista e a socialista se despediram e Dilma voltou ao hotel. José Tadeu era membro do movimento anarquista nos anos 70 e hoje é ligado ao PT em Brasília.

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