Em reunião, Temer sugere a Dilma que governo esteja 'mais disposto a ouvir do que a falar'

Primeiro encontro entre presidente e vice em 2016 marcou tentativa de reaproximação política entre eles e girou em torno de assuntos ligados à área econômica

Daniel Carvalho, Tânia Monteiro e Igor Gadelha, O Estado de S. Paulo

20 de janeiro de 2016 | 12h48

Atualizada às 17h50

BRASÍLIA - No primeiro encontro entre Dilma e Temer neste ano, o vice sugeriu à presidente que o governo demonstre estar "mais disposto a ouvir do que a falar" no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, chamado "Conselhão", que será reativado nos próximos meses. Segundo interlocutores, Temer defendeu que o Planalto incentive os conselheiros a enviarem sugestões e que o governo procure adotá-las. Para o vice, essa seria uma importante sinalização para ajudar a melhorar as expectativas da economia brasileira.

Na reunião, que marcou uma tentativa de reaproximação política da presidente e do vice-presidente, Dilma e Temer conversaram a sós durante os 15 primeiros minutos. Em seguida, os ministros Jaques Wagner (Casa Civil) e Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo) entraram na sala. De acordo com interlocutores do peemedebista, a conversa girou em torno principalmente de assuntos ligados à área econômica.

Temer também lembrou, durante o encontro, o documento "Uma Ponte para o Futuro". Elaborado pela Fundação Ulysses Guimarães, ligada ao PMDB, a publicação tem principalmente propostas para a economia. Dilma afirmou ao vice que conhece a publicação. Em mais um afago ao peemedebista, a presidente ressaltou que o documento está sendo analisado pelo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, para que algumas das sugestões possam ser adotadas pelo governo.

FMI. No dia em que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deve anunciar sua decisão sobre a taxa básica de juros (Selic), a presidente mencionou, em conversa reservada com o vice, as projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI) para o desempenho da economia mundial para tentar justificar a crise na economia brasileira.

Dilma usou as projeções do FMI para tentar mostrar que a crise na economia brasileira é afetada por uma conjuntura internacional ruim. As projeções usadas pela presidente foram as mesmas que o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, mencionou em comunicado emitido ao mercado financeiro ontem. No documento, Tombini, que vem sofrendo pressões do PT contra a alta dos juros, afirmou que o Copom vai levar em conta as projeções do fundo na decisão sobre a Selic nesta quarta-feira.

Apesar de o encontro entre Dilma e Temer ocorrer em meio às articulações do Planalto para eleição do líder do PMDB na Câmara e do vice para se manter na presidência nacional do partido, interlocutores do peemedebista afirmam que eles não conversaram sobre esses dois temas. Aliados de Temer afirmam que eles também não falaram sobre a Operação Lava Jato, que apura atos de corrupção na Petrobrás.

Nos 20 minutos finais do encontro, Dilma e Temer conversaram sobre “amenidades”, como cinema e literatura. O vice-presidente sugeriu à petista a leitura de três livros: Número Zero, do escritor Umberto Eco, e A Capital da Solidão e A Capital da Vertigem, do jornalista Roberto Pompeu de Toledo.

Aliados de Temer também acreditavam que o vice pediria a Dilma que o governo não interferisse em questões internas do PMDB, como a escolha do novo líder do partido na Câmara dos Deputados e a definição do presidente da legenda pelos próximos anos. Temer está envolvido nas questões internas do PMDB para se manter no comando do partido. / Colaborou Bernardo Caram

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