Clayton de Souza/Estadão
Clayton de Souza/Estadão

Dilma é recebida com vaias em evento em São Paulo e admite problemas na economia

Presidente é hostilizada por público interno de feira, como expositores e vendedores, na abertura do 21º Salão da Construção

Valmar Hupsel Filho e Francisco Carlos de Assis, O Estado de S. Paulo

10 de março de 2015 | 11h29

Atualizado em 11.03

São Paulo - A presidente Dilma Rousseff voltou a ser vaiada nesta terça-feira, 10. Ainda que em menor escala em relação às hostilidades sofridas na abertura da Copa do Mundo, no ano passado, a petista ouviu apupos de cerca de 200 pessoas enquanto visitava a abertura do 21º Salão da Construção, em São Paulo.

Os gritos de "Fora Dilma" não vieram de visitantes, mas de expositores, modelos e vendedores que trabalhavam nas centenas de estandes da feira. Dilma visitou o espaço minutos antes de estar aberto ao público. 

Diante do desconforto, a presidente abreviou a visita ao pavilhão e seguiu para o auditório do centro de exposições Anhembi a fim de participar da solenidade de abertura do evento.

Para uma plateia que ocupava metade da lotação do auditório, com capacidade para 799 pessoas, Dilma disse que reconhecia o momento difícil pelo qual passa a economia brasileira e os impactos sobre o setor, mas ressaltou que a crise é conjuntural.

"Tenho trabalhado para superarmos a desaceleração pela qual passa a construção civil", discursou a presidente.

Clima. O Estado conversou com 12 pessoas que vaiaram a presidente quando ela chegou ao local. Eram jovens na faixa dos 25 a 40 anos, com grau de escolaridade variando entre diplomados de ensino fundamental e terceiro grau, e moradores tanto de bairros de classe média da capital, como Ipiranga, na zona sul, como de classe baixa, como São Mateus, na zona leste. Todos eles pediram para não ser identificados.

A maioria disse ter votado no senador Aécio Neves (PSDB-MG) nas últimas eleições. A exceção foi um vendedor de materiais de construção que se disse arrependido de ter votado na petista. Estudante de economia de uma universidade particular, ele reclamou da dificuldade de conseguir o Financiamento Estudantil (Fies) este ano.

"Quem vaiou foram aqueles que trabalham com vendas na construção civil, os que estão vendo a diminuição das vendas e as coisas cada vez mais difíceis", resumiu um expositor.

Segundo ele, as vaias começaram de forma espontânea e foram tomando corpo a ponto de serem ouvidas por quem estava do lado de fora do pavilhão do Anhembi. Dilma circulou a uma distância de cerca de 100 metros dos manifestantes, protegida por grades instaladas pela equipe de segurança.

Apesar de todos assumirem ter gritado "Fora Dilma", apenas dois deles disseram ser a favor do impeachment. Ninguém assumiu ter participado de protestos de rua contra a presidente ou do panelaço que ocorreu na noite do domingo passado em alguns bairros de algumas cidades do País.

"Moro muito longe e esses protestos a gente sabe como começa mas não sabe como termina", disse um expositor. Morador de São Mateus, na zona leste de São Paulo, ele conta que não fez, mas ouviu "baixinho" o barulho do panelaço durante o pronunciamento da presidente em rede nacional de rádio e TV.

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