Wilson Pedrosa/AE
Wilson Pedrosa/AE

Dilma é recebida com festa na primeira visita ao Haiti

Chegada da presidente ao país foi anunciada por faixas nas ruas com a foto da petista e os dizeres 'Bem vinda, Dilma, essa é sua casa'; Itamaraty avalia de forma positiva declarações em Cuba

Lisandra Paraguassu, enviada especial, e Tânia Monteiro, de O Estado de S.Paulo

01 de fevereiro de 2012 | 20h18

PORTO PRÍNCIPE e BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff fez nesta quarta-feira, 1º, sua primeira visita ao país mais pobre da América Latina. Recebida no aeroporto pelo presidente Michel Martelly, Dilma teve um encontro e um almoço com seu colega e depois visitou os militares brasileiros que fazem parte do batalhão da Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (Minustah).

 

A chegada da presidente teve ares de festa no aeroporto e na cidade. Na pequena base diplomática do governo haitiano no aeroporto internacional Toussant Louverture, faixas com a foto da presidente e os dizeres "Bem vinda, Dilma, essa é sua casa", em português e francês.

 

Ao longo do caminho até o Palácio Nacional -- praticamente destruído no terremoto de 2010 -- as mesmas faixas, além de bandeiras do Brasil e do Haiti, enfeitavam as ruas.

 

A imigração haitiana para o Brasil foi um dos temas centrais da conversa entre os dois presidentes. Apesar das críticas no Brasil, a medida que estabeleceu uma cota de vistos foi bem recebida no Haiti, que a viu como uma possibilidade de diminuir a rede ilegal de transporte para o Brasil via Equador e Peru.

 

Direitos Humanos. A afirmação da presidente de que "todos os países têm telhado de vidro" na questão de direitos humanos foi recebida com entusiasmo tanto no Palácio do Planalto como no Itamaraty. Auxiliares de Dilma avaliaram que ela "fez muito bem" ao criticar, durante sua visita a Cuba, a prisão de Guantánamo, mantida pelos Estados Unidos. Disseram até mesmo que, ao abordar a falta de direitos humanos em Havana, ela deveria ter mencionado a violência policial na ação de reintegração de posse no bairro Pinheirinho, em São José dos Campos.

 

Na semana passada, a presidente disse que a operação apoiada pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) foi uma "barbárie". Agora, a oito meses das eleições municipais, petistas avaliam que Dilma deve aproveitar o episódio para alvejar os tucanos em todos os fóruns, mesmo fora do País.

 

Na prática, a presidente foi treinada para responder perguntas referentes à ditadura comandada pelos irmãos Castro e à blogueira Yoani Sánchez, que gostaria de ser recebida por ela. Em conversas reservadas, diplomatas disseram ao Estado que ela não teve a intenção de pôr todas as nações no mesmo nível de desrespeito aos direitos humanos. Apenas quis mostrar que esse tipo de problema não se resolve com acusações entre países, mas com diálogo e construção de soluções, pois sempre os acusados são os mais frágeis e os acusadores, os desenvolvidos.

 

ONU. Na avaliação do Itamaraty, Dilma sinalizou que todos os países podem avançar na questão de direitos humanos. "Não existe um país, mesmo entre os mais desenvolvidos, que não tenha um esqueleto no armário", disse um diplomata. Por essa análise, o objetivo de Dilma seria mostrar que o foro adequado para discutir isso é o conselho das Nações Unidas.

 

Na Europa, por exemplo, citam que há problemas graves de imigração, inclusive contra brasileiros, além de xenofobia, que são tratados como questões relativas à direitos humanos e que precisam ser superadas. Um dos passos importantes neste contexto, observam diplomatas, é acabar com esta polarização norte-sul.

 

Todos ressaltaram que ninguém tem dúvidas de que o tema direitos humanos é um assunto caro à presidente Dilma, principalmente por ela sido uma das vítimas de tortura durante o regime militar. Acrescentaram ainda que a presidente quer valorizar a importância dos organismos multilaterais como local ideal e único com legitimidade para a discussão deste tema já que ali todos podem opinar, de igual para igual, e de forma construtiva.

 

Esta forma de tratar a questão dos direitos humanos, ressaltam os diplomatas, seguiu o mesmo tom usado pela presidente Dilma na ONU, em seu discurso de abertura, quando citou que é preciso acabar com a polarização norte-sul e com as acusações entre países, porque elas não contribuem para solução dos problemas. Para o Brasil, se esta questão for tratada unilateralmente, caso a caso, não se consegue avançar nas discussões, porque os países se retraem.

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