Dilma e Obama devem assinar 15 acordos em viagem aos EUA

Presidente espera emplacar uma agenda positiva para fechar acordos e abrir mercado para produtos brasileiros nos EUA

Rafael Moraes Moura, O Estado de S. Paulo

28 de junho de 2015 | 17h04

Confrontada com as novas denúncias da Operação Lava Jato, o agravamento da crise econômica, as sucessivas derrotas impostas pelo Congresso Nacional e o estremecimento na relação com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a presidente Dilma Rousseff chega aos Estados Unidos disposta a encarnar o papel de caixeiro-viajante e atrair investidores estrangeiros para o bilionário programa de concessão em infraestrutura anunciado no início deste mês. 

Segundo o Estado apurou, Dilma e o presidente dos Estados Unidos Barack Obama deverão assinar na próxima terça-feira (30) cerca de 15 acordos de cooperação em uma série de áreas como previdência, meio ambiente, educação e agricultura. Entre eles está um acordo que prevê a exportação de carne bovina in natura brasileira ao mercado norte-americano – no ano passado, esse comércio foi de apenas US$ 95 mil.

Entre os principais anúncios que Obama e Dilma deverão fazer está a criação de um grupo de alto nível para tratar de questões climáticas, a seis meses da realização de uma cúpula em Paris sobre o tema. Na prática, a criação do grupo demonstra uma maior preocupação de Washington e Brasília em viabilizar um acordo político na área.

Os dois governos também deverão assinar um memorando de entendimento em serviço florestal e uma cooperação na área de engenharia de software e ensino técnico profissionalizante. A viagem ainda deverá servir para reativar os diálogos de parceria global, de cooperação em defesa, energia e na área econômica financeiro, que funcionam como mecanismos de coordenação a nível ministerial.

Abrir mercados. Diante de um cenário interno repleto de pepinos, Dilma espera emplacar uma agenda positiva para fechar acordos, abrir mercado para produtos brasileiros nos EUA e projetar o País internacionalmente. Dentro do Planalto, há a clara percepção de que a política externa ganhou um peso maior neste início de segundo mandato, quando comparada ao tratamento conferido na primeira gestão da presidente.

As concessões em rodovias, ferrovias, aeroportos e portos são o carro-chefe da “viagem a negócios” que a presidente fará nos próximos quatro dias aos EUA, acompanhada de uma comitiva recorde de 11 ministros, entre eles o da Fazenda, Joaquim Levy, o do Planejamento, Nelson Barbosa, e o da Defesa, Jaques Wagner. A passagem pelos EUA terá três frentes: a divulgação do programa em infraestrutura, a retomada do diálogo com a Casa Branca, e o interesse do governo brasileiro em aprofundar o intercâmbio na área de ciência, tecnologia e inovação com gigantes do setor.

Em Nova York e Washington D.C., Dilma participará de seminário e de cúpula empresarial, onde se reunirá com dirigentes de fundos de investimentos, bancos e empresas norte-americanas com investimentos no Brasil. Em San Francisco, a presidente terá encontros com executivos do setor de tecnologia da informação, comunicação, aeroespacial, biotecnologia e biomedicina.

O setor privado, por sua vez, espera que o Planalto e a Casa Branca deem largada às discussões de um acordo de livre comércio e iniciem negociações para acabar com a dupla tributação. “A viagem vai servir para dizer que o governo não está afogado em uma série de notícias negativas circunstanciais”, comentou um auxiliar da presidente à reportagem.

Agenda. A viagem também marca uma normalização das relações com a Casa Branca, depois da péssima repercussão do esquema de espionagem envolvendo a Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos (NSA), o que levou Dilma a cancelar a visita de Estado programada para outubro de 2013. 

Apesar do menor status protocolar da nova visita, os norte-americanos fizeram questão de conferir um tratamento especial à presidente, com a realização de um jantar na Casa Branca na noite de segunda-feira e um almoço com o vice-presidente Joe Biden na sede do Departamento de Estado dos EUA no dia seguinte.

Em meio a uma agenda repleta de compromissos, o Planalto conseguiu encontrar espaço para um encontro da presidente com o ex-secretário de Estado Henry Kissinger nesta segunda-feira pela manhã.

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