Dilma e Lula debatem reforma ministerial por seis horas

Presidente quer mexer na equipe em janeiro de 2014 e ajustar governo com quadro político-eleitoral

Vera Rosa e Tânia Monteiro, O Estado de S. Paulo

14 de setembro de 2013 | 01h12

BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff pretende fazer uma reforma na equipe em janeiro de 2014, para ajustar o governo com o quadro político-eleitoral, mas pode antecipar mudanças no ministério. O assunto foi discutido nesta sexta-feira, 13, em reunião que durou seis horas entre Dilma, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do PT, Rui Falcão, na Granja do Torto.

A entrada do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), no páreo presidencial não surpreende, mas preocupa o governo. Diante desse cenário, o Palácio do Planalto tenta segurar a ala do PSB que se opõe a Campos. O Ministério da Integração, hoje ocupado por Fernando Bezerra (PSB) - ligado ao governador -, deve ser entregue ao PMDB, como informou nesta sexta-feira o Estado, desde que o partido concorde em reforçar o palanque de Dilma no Nordeste e em apoiar candidatos do PT na região.

Todo o esforço será feito para que Dilma liquide a fatura eleitoral no primeiro turno. O Planalto quer dividir o PSB, atraindo o governador do Ceará, Cid Gomes, e o secretário da Saúde, Ciro Gomes, para a campanha de Dilma. Homem da confiança de Lula, o ex-ministro Walfrido dos Mares Guia, que presidiu o PSB de Minas e deixou o posto por divergir de Campos, foi convocado para a reunião de ontem na Granja do Torto.

Ideli e Miriam. Em uma época de muitas dificuldades na relação do governo com o Congresso, voltaram os rumores sobre as substituições das ministras Ideli Salvatti ( Relações Institucionais) e Miriam Belchior (Planejamento), ambas da cota petista. Até mesmo na seara do PT há queixas sobre Ideli, que não consegue acertar o passo da articulação política e frequentemente recorre à ajuda do ex-deputado Paulo Rocha, amigo do ex-ministro José Dirceu, réu no processo do mensalão.

Líderes do PT chegaram a pedir a Dilma que pusesse o titular das Comunicações, Paulo Bernardo, no lugar de Ideli. A presidente, porém, não age sob pressão e, diante das notícias sobre a saída da ministra, decidiu segurá-la por alguns meses.

Pelos cálculos do Planalto, no mínimo 12 dos 39 ministros deixarão os cargos para disputar as eleições de 2014. Na lista está a chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, que será candidata do PT ao governo do Paraná.

A dúvida, agora, é sobre a conveniência de transferir o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, para essa cadeira, já que ele deve coordenar a campanha da reeleição de Dilma. Na avaliação de Lula, Miriam Belchior seria a mais indicada para comandar a Casa Civil, mas Dilma ainda não bateu o martelo sobre a proposta.

Mensalão. Outro tema da conversa foi a possível reabertura do julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal. Apesar da solidariedade aos réus do PT, Dilma avalia que um novo julgamento pode atrapalhar a campanha.

"Todos têm direito a um novo julgamento, mas, se o Supremo aceitar os embargos infringentes (recursos), as novas análises têm que ficar para 2015, e não para o segundo semestre de um ano eleitoral", afirmou o presidente do PT paulista, deputado Edinho Silva.

Dilma, Lula e Falcão também fizeram ontem previsões sobre como ficarão os partidos depois de 5 de outubro, quando termina o prazo de filiações para quem quer se candidatar. No diagnóstico dos petistas, o PSDB do senador Aécio Neves (MG) enfrenta problemas, mas ainda pode sofrer mais divisões, caso o ex-governador José Serra se filie ao PSD do ex-prefeito Gilberto Kassab.

Lula tenta atrair o PSD para o palanque de Dilma e para a campanha do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ao governo de São Paulo. O ex-presidente conversou ontem com o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, e pediu que o PC do B ajude o PT a obter adesões para a candidatura de Padilha.

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