Dilma e Lula debatem reforma ministerial durante 6 horas

A presidente Dilma Rousseff pretende fazer uma reforma na equipe em janeiro de 2014, para ajustar o governo com o quadro político-eleitoral, mas pode antecipar mudanças no ministério. O assunto foi discutido por Dilma, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do PT, Rui Falcão, em reunião que durou seis horas na Granja do Torto.

VERA ROSA E TÂNIA MONTEIRO, Agência Estado

13 de setembro de 2013 | 21h46

Uma possível entrada do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), no páreo presidencial não surpreende, mas preocupa o governo. Diante do cenário, o Palácio do Planalto tenta segurar a ala do PSB que se opõe a Campos. O Ministério da Integração, hoje ocupado por Fernando Bezerra (PSB) - ligado ao governador -, deve ser entregue ao PMDB, desde que o partido concorde em reforçar o palanque de Dilma no Nordeste e em apoiar candidatos do PT na região.

Todo o esforço será feito para que Dilma liquide a fatura eleitoral no primeiro turno. O Planalto quer dividir o PSB, atraindo o governador do Ceará, Cid Gomes, e o secretário da Saúde, Ciro Gomes, para a campanha de Dilma. Homem da confiança de Lula, o ex-ministro Walfrido dos Mares Guia, que presidiu o PSB de Minas e deixou o posto por divergir de Campos, foi convocado para a reunião desta tarde na Granja do Torto.

Ideli e Miriam

Em uma época de muitas dificuldades na relação do governo com o Congresso, voltaram os rumores sobre as substituições das ministras Ideli Salvatti (Relações Institucionais) e Miriam Belchior (Planejamento), ambas da cota petista. Até mesmo na seara do PT há queixas sobre Ideli, que não consegue acertar o passo da articulação política e frequentemente recorre à ajuda do ex-deputado Paulo Rocha, amigo do ex-ministro José Dirceu, réu no processo do mensalão.

Líderes do PT chegaram a pedir a Dilma que pusesse o titular das Comunicações, Paulo Bernardo, no lugar de Ideli. A presidente, porém, não age sob pressão e, diante das notícias sobre a saída da ministra, decidiu segurá-la por alguns meses.

Pelos cálculos do Planalto, no mínimo 12 dos 39 ministros deixarão os cargos para disputar as eleições de 2014. Na lista está a chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, que será candidata do PT ao governo do Paraná.

A dúvida, agora, é sobre a conveniência de transferir o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, para essa cadeira, já que ele deve coordenar a campanha da reeleição de Dilma. Na avaliação de Lula, Miriam Belchior seria a mais indicada para comandar a Casa Civil, mas Dilma ainda não bateu o martelo sobre a proposta.

Mensalão

Outro tema da conversa foi uma possível reabertura do julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Apesar da solidariedade aos réus do PT, Dilma avalia que um novo julgamento pode atrapalhar a campanha.

"Todos têm direito a um novo julgamento, mas, se o Supremo aceitar os embargos infringentes (recursos), as novas análises têm que ficar para 2015, e não para o segundo semestre de um ano eleitoral", afirmou o presidente do PT paulista, deputado Edinho Silva.

Dilma, Lula e Falcão também fizeram previsões sobre como ficarão os partidos depois de 5 de outubro, quando termina o prazo de filiações para quem quer se candidatar. No diagnóstico dos petistas, o PSDB do senador Aécio Neves (MG) enfrenta problemas, mas ainda pode sofrer mais divisões, caso o ex-governador José Serra se filie ao PSD do ex-prefeito Gilberto Kassab.

Lula tenta atrair o PSD para o palanque de Dilma e para a campanha do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ao governo de São Paulo. O ex-presidente conversou também com o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, e pediu que o PC do B ajude o PT a obter adesões para a candidatura de Padilha.

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