Dilma e Alckmin se reúnem por parceria de R$ 27 bi

É a segunda vez em menos de um mês que a presidente visitará o Palácio dos Bandeirantes; Lula também foi convidado mas não participará de evento

Julia Dualibi, Fernando Gallo e João Domingos, de O Estado de S.Paulo

12 Setembro 2011 | 22h40

Em mais um capítulo da recente aproximação político-administrativa, a presidente Dilma Rousseff (PT) e o governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB) encontram-se nesta terça-feira, 13, para anunciar parcerias em projetos e iniciativas que ultrapassam R$ 27 bilhões.

 

A petista e o tucano se reunirão oficialmente para anunciar investimentos no eixo norte do Rodoanel, mas a pauta de médio prazo entre os dois governos vai além da área dos transportes.

 

Dilma e Alckmin devem tratar de outros assuntos de interesse das duas gestões, como a ampliação do limite de endividamento do Estado, tema caro à administração paulista, a parceria em projetos habitacionais e o investimento em outras obras de infraestrutura, como o Ferroanel e a Hidrovia Paraná-Tietê.

 

É a segunda vez em menos de um mês que Dilma visitará o Palácio dos Bandeirantes. O encontro desperta polêmica em setores do PSDB e do PT.

 

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi convidado para a cerimônia, mas sua assessoria disse que ele não poderá participar. Lula não tem acompanhado Dilma em eventos oficiais. Ex-governadores que tocaram os investimentos do Rodoanel, como José Serra e Alberto Goldman, também seriam convidados.

 

Dilma e Alckmin anunciam investimento de R$ 6,4 bilhões no eixo norte do Rodoanel – R$ 1,7 bilhão é da União. A parceria no projeto, que vai até 2015, foi assinada em 1999, quando o presidente da República era o tucano Fernando Henrique Cardoso.

 

Além do Rodoanel, Estado e União trabalham juntos para tirar do papel a Hidrovia Tietê-Paraná, orçada em R$ 1,5 bilhão, e o trecho norte do Ferroanel, estimado em R$ 1,2 bilhão.

 

O governo paulista também quer de Dilma a autorização para ampliar o limite de endividamento em R$ 17 bilhões até 2013. O assunto é prioritário na agenda de Alckmin, que tratou do tema com o ministro Guido Mantega (Fazenda) na semana passada.

 

Depois de anunciar a unificação do programa social do Estado com o Bolsa-Família, o tucano e a petista farão ainda parceria na área de habitação. Será anunciado até o fim do mês uma complementação de até R$ 20 mil por parte do Estado ao teto de financiamento do Minha Casa, Minha Vida, que hoje é de R$ 65 mil. A ação pode alcançar, pelo menos, 70 mil famílias.

 

Polêmica. "Dilma é autoritária na relação com o Congresso, mas busca compensar isso no trato com os governadores", afirmou Sergio Guerra, presidente do PSDB. Para o deputado Devanir Ribeiro (PT-SP), "a relação é política e não partidária".

 

A aproximação causa polêmica em ambos os partidos. Para os tucanos, Alckmin opera a aproximação de olho em recursos que podem ajudar sua reeleição em 2014. Mas acabaria enfraquecendo o discurso oposicionista que o partido propaga no plano nacional. Os petistas avaliam que o diálogo da presidente com o governador pode fortalecer ainda mais os tucanos no Estado, governado pelo PSDB desde 1995.

 

No mês passado, quando Dilma e Alckmin assinaram a unificação dos programas sociais, petistas criticaram a extensão da bandeira social do governo aos tucanos. Alguns integrantes do PSDB, por sua vez, avaliavam ser mais estratégico para o partido fortalecer seus próprios projetos na área social.

 

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