Dilma doa indenização para o grupo 'Tortura Nunca Mais'

Presidente tem direito a cerca de R$ 20 mil mensais por ter sido interrogada e torturada no Rio

Tânia Monteiro, de O Estado de S. Paulo,

18 Maio 2012 | 19h36

BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff vai doar para o grupo "Tortura Nunca Mais" a indenização que receberá do governo do Rio de Janeiro, por ter sido interrogada e torturada no estado, durante a ditadura militar. O grupo foi fundado em 1985, por iniciativa de ex-presos políticos que foram torturados durante o regime militar e por familiares de mortos e desaparecidos políticos, que buscavam explicações e informações sobre o paradeiro das vítimas. Segundo o porta-voz da Presidência, Thomas Traumann, serão contempladas com a indenização do Rio de Janeiro 316 pessoas. O valor da indenização da presidente não foi divulgado, mas informações que circulavam nesta sexta-feira, 18, davam conta de que a indenização é de R$ 20 mil.

A doação, que começará a ser recebida em junho, foi anunciada dois dias depois do contundente e emocionado discurso da presidente Dilma, na cerimônia de instalação da Comissão da Verdade, quando falou que o grupo irá "liderar o esforço da sociedade brasileira em busca da verdade histórica, da pacificação e da conciliação nacionais". Este é mais um gesto da presidente Dilma, na sua disposição de buscar o que chamou de verdade histórica. Durante muitos anos, quem fez a busca pela verdade, no entendimento da presidente, foi exatamente o Grupo Tortura Nunca Mais.

De acordo com informações da assessoria do Planalto, já recebeu e doou uma outra indenização que recebeu do governo de São Paulo, que também repassou ao Grupo Tortura Nunca Mais. No Rio Grande do Sul, na década de 80, Dilma deu entrada em processo para ser ter direito a voltar a trabalhar na Fundação de Economia e Estatística do Estado do Rio Grande do Sul, onde é economista e havia sido cassada durante o governo militar, o que foi atendido.

As ações foram ingressadas no Rio de Janeiro, porque foi onde Dilma foi presa, em São Paulo, para onde foi transferida depois. Em dezembro de 2006, a Comissão de Reparação da Secretaria de Direitos Humanos do Estado do Rio de Janeiro aprovou pedido de indenização por parte de Dilma e de outras dezoito pessoas, presas em dependências de órgãos policiais do governo estadual paulista na década de 70.

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