Dilma diz que 'voz de Lula' em programa tucano não surtirá em perda de votos

'O povo não é bobo', afirmou a candidata sobre o uso de uma voz semelhante a do presidente petista no programa eleitoral de Serra

Anne Warth, da Agência Estado

17 de agosto de 2010 | 14h33

SÃO PAULO - A candidata do PT à presidência da República, Dilma Rousseff, disse nesta terça-feira, 17, não acreditar que a utilização de uma voz semelhante a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no programa de rádio de seu adversário, José Serra (PSDB), deva surtir efeito e se reverta em votos favoráveis ao tucano. "O povo não é bobo", afirmou, em entrevista após participar de evento com integrantes de seis centrais sindicais em São Paulo. Dilma disse acreditar na "inteligência, discernimento e senso crítico" do povo brasileiro.

 

"Acredito o povo sabe quem é quem", afirmou. Sem citar o nome de Serra nem o PSDB, a candidata acusou o partido de fazer uma oposição "radical, dura e com o fígado" durante o governo Lula. "Não pode querer, nas eleições, passar pelo que não é", completou.

 

Sobre o resultado da última pesquisa Ibope, divulgada na noite desta segunda-feira, 16, na qual aparece com 11 pontos de vantagem sobre Serra, com respectivamente 43% e 32%, Dilma voltou a dizer que trata-se de um "retrato do momento" e que não significa que já ganhou a eleição. "Não pode subir no salto", disse ela. "Não significa de jeito nenhum que a pessoa pode subir no salto e sair por ai. Eu estou preferindo rasteirinha. Só hoje que está bem frio, estou adepta do tênis", acrescentou, referindo-se ao uso de sandálias femininas sem nenhum salto.

 

Durante o evento, Dilma recebeu um documento assinado por mulheres que integram as seis principais centrais sindicais do País com propostas da categoria. Entre as principais, estão a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais e a descriminalização do aborto. Questionada pelos jornalistas se assumiria compromisso nessa questões, Dilma foi evasiva. Sobre a redução da jornada de trabalho, a candidata afirmou ser uma luta dos trabalhadores e em relação ao aborto, se disse favorável à manutenção da atual legislação que permite a realização do aborto no caso de estupro e de risco de morte para a mulher.

 

A secretária nacional da mulher trabalhadora da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Rosane Silva, disse não ver problema com o posicionamento da candidata. Na avaliação dela, uma vez que as propostas sejam aprovadas no Congresso Nacional, Dilma não deve vetá-las.

 

O evento na Casa de Portugal foi organizado pelo comitê de campanha de Dilma Rousseff, de acordo com sindicalistas. A legislação eleitoral é rígida no que diz respeito ao apoio de sindicatos em campanhas eleitorais. Eles não podem fazer doações nem arcar com custos de eventos como o de hoje. Entre as seis centrais sindicais presentes, estava a União Geral dos Trabalhadores (UGT) que não participou, no último mês de junho, do evento pró-Dilma que reuniu sindicalistas no Estádio do Pacaembu, em São Paulo. Na época, o presidente da UGT, Ricardo Patah, afirmou que a central era uma entidade plural e diversos de seus integrantes, filiados do PPS, apoiam Serra.

 

Nesta terça, Patah manteve o discurso da pluralidade da central, mas disse que não poderia ficar de fora de um evento em que mulheres da UGT confirmaram participação. "Não posso institucionalizar ou colocar a UGT na campanha", disse. Outros sindicalistas, no entanto, viram na presença de Patah uma mudança de postura. De acordo com eles, a UGT somente confirmou participação no evento ontem (16), após a divulgação do resultado da pesquisa Ibope que deu dianteira para Dilma. A UGT trouxe poucos manifestantes comparativamente a demais centrais e apenas uma bandeira.

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