Dilma diz que saída Erenice foi correta; para Serra, denúncias não são eleitoreiras

Marina critica 'vale-tudo' eleitoral e se apresenta como opção 'transparente'.

Fabrícia Peixoto, BBC

16 de setembro de 2010 | 19h45

O candidato José Serra (PSDB) disse que a demissão de Erenice Guerra, que se demitiu do cargo de ministra-chefe da Casa Civil, nesta quinta-feira, mostra que as denúncias não eram "jogada eleitoral", referindo-se ao termo utilizado por petistas para minimizar o caso.

"Agora todo escândalo que aparece sempre tem um pretexto que é a eleição, que são denúncias de caráter eleitoral. Não são. A prova é que o governo foi obrigado a afastar essa toda poderosa ministra", disse Serra, durante visita a Campinas (SP).

Já a candidata do PT à presidência, Dilma Rousseff, classificou como "correta" a atitude de Erenice.

"A Erenice tomou a atitude mais correta, porque, como o caso exige investigações, é sempre bom que a autoridade se afaste para garantir e assegurar que a investigação transcorra da melhor maneira possível", disse a candidata, depois de participar de um evento, no Rio de Janeiro.

'Provas'

A demissão foi anunciada pelo Palácio do Planalto nesta quinta-feira, após mais uma denúncia de tráfico de influência envolvendo Israel Guerra, filho da ex-ministra.

No cargo desde abril, Erenice foi secretária-executiva de Dilma Rousseff, durante sua gestão na Casa Civil.

Apesar de terem trabalhado juntas no Ministério, a candidata petista negou ter ligação com as denúncias.

"Onde está a prova de que estou envolvida neste caso?", questionou Dilma. "Tem que provar que você fez, e não provar que você não fez", acrescentou.

O presidente do PT, José Eduardo Dutra, disse que a apuração dos fatos segue "de forma independente" e que as denúncias "não têm qualquer ligação" com a campanha de Dilma à presidência.

Decisão política

A nova acusação envolvendo a Casa Civil, trazida nesta quinta-feira pelo jornal Folha de S. Paulo, voltou a movimentar a oposição.

Na avaliação do presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), a demissão de Erenice foi uma "decisão política", com a intenção de preservar a candidata Dilma Rousseff.

Segundo ele, Erenice era "braço direito" de Dilma e que o objetivo do Palácio do Planalto foi o de "blindar" sua candidata. Já o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) classificou a demissão da ministra como uma "confissão de culpa".

Já a candidata à presidência pelo PV, Marina Silva, voltou a criticar o que chama de "vale-tudo" eleitoral e aproveitou o episódio para se apresentar como uma opção "transparente" ao governo.

"O que nós vamos fazer é uma gestão pública transparente, que não se orienta por critérios do fisiologismo", disse a ministra, durante um evento em Minas Gerais.

"Os candidatos têm que debater o Brasil, parar de ficar fazendo apenas o vale-tudo", acrescentou.

Denúncias

Reportagem do jornal Folha de S. Paulo publicada nesta quinta-feira aponta a intermediação de Israel Guerra em um pedido de empréstimo da empresa EDRB, do setor de energia, ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

A denúncia foi feita ao jornal pelo consultor Rubnei Quícoli, consultor da EDRB, que acusa Israel de ter cobrado uma "comissão" no valor R$ 240 mil pelos "serviços" prestados, além de R$ 5 milhões que ajudariam na campanha da candidata Dilma Rousseff (PT) à Presidência.

De acordo com relato do consultor à Folha de S. Paulo, a empresa teria sido orientada por um servidor da Casa Civil a "procurar" a Capital Consultoria, empresa em nome de Saulo Guerra, também filho de Erenice Guerra e irmão de Israel, para facilitar a liberação de um empréstimo no valor de R$ 9 bilhões junto ao BNDES.

Outra denúncia contra Erenice Guerra foi publicada na revista Veja desta semana, também ligando Israel a uma suposta negociação para beneficiar a empresa MTA Linhas Aéreas, que buscava uma renovação de concessão junto à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

A revista afirma que Erenice "viabilizou" o sucesso do filho, mas não há provas ou relatos de que a então ministra tenha participado diretamente das negociações.

Inicialmente, o Palácio do Planalto indicou que manteria Erenice no cargo. No entanto, uma nota divulgada pela ministra na terça-feira causou mal-estar no governo ao culpar a campanha eleitoral e um "candidato aético e já derrotado" pela onda de denúncias.

A avaliação do Planalto é de que a nota de Erenice, somada à denúncia do jornal Folha de S. Paulo, tornaram a situação da ministra "insustentável". Segundo a Presidência, o novo ministro da Casa Civil será anunciado na próxima semana.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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