Dilma diz que quer ser 'mãe à altura' dos brasileiros

No seu primeiro grande comício em São Paulo, Estado em que ainda perde para o candidato José Serra (PSDB), a candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, disse ontem, em Osasco, que quer ser uma "mãe à altura para cuidar do povo brasileiro" e que recebeu essa tarefa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Vou honrar essa confiança do presidente Lula", disse ao lado do presidente. No evento que reuniu cerca de 7 mil pessoas, segundo a Polícia Militar, Dilma defendeu a manutenção dos projetos do PT "para continuar a missão deste metalúrgico". Dilma lembrou que, a exemplo de Lula, não poderá falhar em seu futuro governo. "Eu também não vou poder errar porque eu vou ser a primeira presidenta deste País", afirmou.

DAIENE CARDOSO, Agência Estado

21 de agosto de 2010 | 07h56

Em quase 20 minutos de discurso, Dilma pediu votos ao candidato Aloizio Mercadante "para que São Paulo tenha a mesma oportunidade que o País teve", criticou a gestão tucana no Estado por não investir em projetos sociais e reduzir os valores do programa Renda Cidadã, programa estadual de distribuição de renda. "Falar é fácil, prometer então é mais fácil ainda. Difícil é prometer e fazer. E foi isso que o governo Lula fez", atacou. Assim como no debate promovido pelo jornal Folha de S.Paulo e o portal de notícias UOL, a petista voltou a mencionar a ação do DEM no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o ProUni. "E hoje vêm falar que são favoráveis ao ProUni? Essa ação no Supremo ameaça o ProUni", enfatizou.

Entre dirigentes do PT, como o presidente do partido José Eduardo Dutra, Antonio Palocci (coordenador da campanha), o senador Eduardo Suplicy, os ministros Alexandre Padilha e Franklin Martins, e os candidatos ao Senado Marta Suplicy e Netinho de Paula, estava o vice da chapa de Dilma, Michel Temer. Sem empolgar a militância, Temer lembrou que Dilma atuou pela democracia ao lutar contra a ditadura militar e que o presidente Lula entra para a história como o homem que trouxe a democracia do "pão sobre a mesa". Já Marta Suplicy, contando com a vitória de Dilma e com uma futura reeleição, disse que a candidata lutará para erradicar a pobreza do País em 8 anos.

Rei do gueto

Lula, chamado por Netinho de Paula de "rei do gueto", pediu para que os eleitores votem nos candidatos da coligação ao Senado e não nos que "estão do lado de lá". "Esta companheira (Dilma) não merece ter o Senado que eu tive", argumentou.

O presidente listou as conquistas de seu governo, entre elas o empréstimo do governo brasileiro ao Fundo Monetário Internacional (FMI). "É eles quem devem para nós. Daqui a pouco, vou mandar gente fiscalizar eles (sic)", brincou. Lula também destacou o crescimento do País no cenário político internacional. "Esse metalúrgico, que não sabia falar inglês, que não sabia falar espanhol e, portanto, não seria respeitado lá fora, vai passar para a história como o presidente mais respeitado no exterior que esse País já teve. Porque respeito é uma questão de caráter", disse.

Lula agradeceu a confiança e o apoio da população "nos momentos mais difíceis" e lembrou que em quatro meses deixará a Presidência da República. Ele disse que, ao contrário de seus adversários, não vai para Universidade de Harvard ou para a Sorbonne, mas que voltará para São Bernardo do Campo. "Não quero que os meus companheiros me achem um estranho. Porque quem tem caráter não muda quando chega lá".

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